Doze (12) motivos para você assistir "Cair em Tentação" no Globoplay
Por: Hiago Júnior 13:50:00 evidência
| Silvia Navarro e Carlos Ferro em cena da novela "Cair em Tentação" (Caer en Tentación). Créditos: TelevisaUnivision |
Após longos meses deste o anúncio da compra da novela mexicana "Cair em Tentação" (Caer en Tentación) pelo Globoplay, a trama finalmente chegou ao catálogo do streaming do grupo Globo.
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Produzida em 2017 pela Televisa, a telenovela baseada na obra original argentina "Amar Después de Amar" causou uma grande revolução na TV mexicana, tanto na forma como o público a recebeu, quanto na forma de narrativa.
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Se você estava pesquisando sobre o romance e chegou nesta matéria, significa que ‘Cair em Tentação’ é de seu interesse e te conquistou por algum motivo; ou ainda gera dúvidas. Para te ajudar nesse processo, elenquei 12 (doze) motivos para você acompanhar ‘Caer en Tentación’ no Globoplay. Aproveite e leia também:
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| Gabriel Soto e Adriana Louvier em cena da novela 'Cair em Tentação". Créditos: TelevisaUnivision |
Traições
O enredo de 'Cair em Tentação' joga muito bem com a temática traição, aliás esse é o clímax que faz a engrenagem da novela girar em um quarteto amoroso envolvo por mentiras, conflitos e relacionamentos extraconjugais. Na trama, Raquel e Damián são casados, pais e independentemente bem realizados financeiramente, até que os caminhos do casal se cruzam com os de Carolina e Santiago, uma jovem pareja, e desta amizade surge algo antes improvável, o rito de uma traição.
| Ela Velden como Mía em cena da novela 'Caer en Tentación'. Créditos: TelevisaUnivision |
Passado e presente
Diferente de outras novelas mexicanas, "Cair em Tentação" apresenta sua narrativa de uma forma atípica, a proposta do enredo é disposta em uma dialética onde os conflitos do passado contrastam com os do presente, numa clara alusão aos acontecimentos e escolhas de seus personagens no pretérito, atitudes que acabam refletindo no hoje, no factual. Essa forma de narrativa é sempre uma faca de dois gumes, seja pelo encontro entre os flashs de tempo ou ainda pela complexidade de compreensão da narração. Contudo é um conceito interessante e que fisga o público.
| Francisco Pizaña e Luz Ramos em cena da novela 'Caer en Tentación'. Créditos: TelevisaUnivision |
Temáticas mordazes
Quase sempre relacionadas a abordagens infantis e poucos críveis, as novelas mexicanas tem mudado muito essa imagem com o passar dos anos e 'Cair em Tentação' é um exemplo claro. Com temáticas enérgicas e de difícil debate, a trama ousa ao trazer ao seu roteiro assuntos de caráter social, como o alcoolismo, o assédio sexual e moral, a violência contra a mulher, o consumo de drogas licitas e ilícitas, a depressão, suicídio e a sexualidade, bem como também se alimenta de alianças comuns nas tramas latinas, vistas quase sempre através das mãos dos vilões e vilãs, como o envenenamento, tentativas de assassinato, as intrigas, a ânsia por poder e dinheiro, além de trazer a tona uma forte discussão sobre os limites da traição. Destaque para a polêmica cena da masturbação.
| Silvia Navarro e Gabriel Soto em cena da novela 'Caer en Tentación'. Créditos: TelevisaUnivision |
Roteiro
Adaptação mexicana do êxito argentino de 2017 'Amar, después de amar' produzida pela Telefe e protagonizada por Mariano Martínez, Isabel Macedo, Eleonora Wexler e Federico Amador, "Caer en Tentación" manteve o mesmo torpor de ação, suspense e romance que a sua 'cópia'. Baseada na história original da dupla de argentinos Erika Halvorsen (Pequeña Victoria) e Gonzalo Demaría (El maestro), que na remasterização mexicana ganhou a roteirização de Leonardo Bechini (La Candidata) e Óscar Tabernise (Ladrón de Corazones), sob a edição literária final de María Elena López (Imperio de Mentiras). O remake alvo desta matéria apresenta várias diferenças da sua obra matriz, a começar pela quantidade de capítulos, a forma como o roteiro apresenta os acontecimentos e principalmente o seu desfecho, considerado por muitos críticos mexicanos como um dos melhores dos últimos anos. Leonardo Bechini é mais um vez competente ao criar uma ambientação de suspense ao entorno dos protagonistas, enquanto esmiúça uma rede de situações hostis que facilmente poderiam acontecer com alguém próximo a você, é uma trama sobre os limites da mentira.
| Gabriel Soto e Silvia Navarro em cena da novela 'Caer en Tentación'. Créditos: TelevisaUnivision |
Os diretores de câmeras Armando Zafra (Cuna de Lobos) e Luis Arturo Rodríguez (El color de la pasión) juntamente com os diretores de cenas Juan Pablo Blanco (La Candidata) e Eric Morales (Para volver a amar), mais uma vez ao lado de Giselle González conseguem transmitir e unificar na direção um senso de justiça pragmático e multilinear onde o conceito é criar uma espécie de "votação" para que assim o espectador possa "julgar" quem está certo nos limiares da traição. A fórmula utilizada pelo quarteto foi novamente expor nos takes cenas altamente dramáticas, pesadas e impactantes que ficam martelando na cabeça do consumidor final, o telespectador. Ação, romance e suspense caminham juntos na assinatura final de Morales e Blanco, que juntos mostram frivolidade para conduzir as ideias de González, que ousada, busca sempre tocar na ferida aberta.
| Adriana Louvier e Silvia Navarro em cena da novela 'Caer en Tentación'. Créditos: TelevisaUnivision |
Assinada por Giselle González e Julieta de la O. a trama é a representação visceral da concepção da produtora.
Creio no realismo, sinto que as coisas que conto são coisas reais, coisas que acontecem de verdade, coisas que o público se identifique. Eu gosto de contar histórias em ambientes reais, que sejam críveis, radicais; de verdade, gosto de apresentar temas fortes.
E tudo em 'Caer en Tentación' é forte, com poucos (ou melhor) casos raros de alívios cômicos, o folhetim é basicamente um thriller de suspense sobre um assassinato e seus principais suspeitos, e neste enriçado novelo abre-se espaço para paixões quentes e crimes que fogem do conceito de 'família tradicional'.
| Silvia Navarro em cena emblemática da novela "Cair em Tentação". Créditos: TelevisaUnivision |
Conhecida do público da TV aberta e também do streaming, Silvia Navarro chega ao Globoplay para suprir o vazio deixado por Angelique Boyer, outra grande atriz. Em suas mãos está Raquel, uma das suas protagonistas de maior complexidade de criação, que por justa causa, veio logo após 'La Candidata' outro grande projeto ao lado de Giselle González. Em entrevista ao Las Estrellas, a produtora falou sobre a renovação da parceria.
Espetacular, sem dúvida alguma, Silvia é uma grande atriz, uma grande profissional e uma grande pessoa [...] Então me sinto feliz que me acompanhe novamente neste projeto. Estou muito agradecida com ela, pois de verdade é um trabalho autoral muito difícil, porque joga, se apresenta em duas etapas, pois no mesmo dia tem que gravar cenas completamente diferentes, com matrizes ecléticas e não é qualquer uma que conseguiria, pois é um trabalho que exige muito profissionalismo, muita entrega, muito estudo e sem dúvidas, cada vez ela me surpreende mais, pois com 'La Candidata' havia pensado que ela já havia feito um belo trabalho, mas neste superou todas minhas expectativas.
Raquel é sangue, suor e lágrimas - uma personagem que vai da risada estridente ao mais puro destempero emocional. Considerada por este que vos escreve o melhor papel da atriz em novelas, Silvia alinhava perfeitamente as metáforas de uma mulher traída que vê sua vida ruir após uma sucessão de acontecimentos que destroem o seu seio familiar.
| Carolina e Damián em cena da novela 'Caer en Tentación'. Créditos: TelevisaUnivision |
Você já se imaginou torcendo para um casal que trai seus parceiros? Saiba que esse acontecimento pode te confrontar com o andar dos capítulos de 'Cair em Tentação'. Eles são os errados da situação? Não sei, pois como diz os próprios teasers "não podemos julgá-los". O fato é que Adriana Louvier e Gabriel Soto possuem química para dar e vender. Repetindo o jogo cênico após 'Yo no creo en los hombres' o casal é uma incógnita no tabuleiro de xadrez da trama.
Sabe aquela sensação de casal altamente shippável? Raquel e Santiago representam muito bem esse sentimento. Muitos são os fatores que jogam a favor do casal traído que revida na mesma moeda, seja o exímio jogo cênico entre Silvia Navarro e Carlos Ferro ou ainda o próprio enredo que praticamente desenha para que o público aceite o relacionamento infiel dos dois. O fato é que o enlace entre os protagonistas foi tão grande que a novela ganhou ainda mais repercussão nas redes sociais após o envolvimento de seus personagens, Santiel, shippe conhecido até hoje conseguiu alcançar camadas que outros casais com narrativas semelhantes não conseguiram.
| Foto promocional da novela 'Cair em Tentação'. Créditos: TelevisaUnivision |
Além da exibição no Las Estrellas, 'Caer en Tentación' foi apresentada em outras emissoras ao redor do mundo, entre elas, por exemplo: Univisión, Televisiete, Telemicro, tlnovelas, Red Bolivisión, NOVA, Televicentro, TeleOnce, Telemetro, Telecadena, LaTele, RCN Televisión, SOTEL Canal 11, La Red, Zap Novelas, América TV e TeleNova.
A temperatura vai subir com as cenas de sexo entre o quarteto de protagonistas, a cada beijo, uma lágrima, a cada abraço, um sorriso. Em tempo: o sexo é um elemento bastante usado durante o desenvolvimento da novela, situação que não se restringe somente aos protagonistas, mas também se projeta em outros personagens, seja por puro prazer, ou abordagens com temáticas já discutidas nesta matéria.
Interpretada e composta por Pablo Alborán, Saturno é a representação até mística do enredo de 'Caer en Tentación' nos versos da canção o planeta Saturno é apresentado como um local onde um amor impossível segue preso, sem chances de retorno. É uma música sobre mentiras, amores, desamores, traições e redenção.
Em 2019 a Diagonal TV em parceria com a Atresmedia produziram 'El Nudo' versão espanhola de 'Amar Después de Amar' sob a assinatura de Nuria Bueno (El Internado e Compañeros) como roteirista. O diferencial dessa adaptação é justamente a condensação dos acontecimentos do thriller para uma versão em formato de série, fazendo desta forma com que situações das anteriores argentina e mexicana fossem mescladas e juntamente a essa mistura, uma pitada de originalidade. O jogo entre passado e presente continua, porém de uma forma diferente: através de uma espécie de documentário, uma investigação policial.
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| Silvia Navarro como Raquel em cena da novela 'Caer en Tentación'. Créditos: TelevisaUnivision |
Em março de 2020, em outra matéria minha escrevi sobre 'Cair em Tentação".
É uma trama forte, ousada e polêmica. Fruto de cortes em alguns países, o folhetim tem grande peso na teledramaturgia mexicana, talvez tenha passado 'em branco' pela audiência mexicana, mas ganhou muito respeito nas redes sociais. Fator que tem se tornado cada vez mais frequente nas novelas produzidas por Giselle González. Talvez o público da produtora esteja mesmo escondido entre os emaranhados da internet e não no sofá da dona de casa comum.
E o fato continua, a novela é muito mais desenhada para o público do streaming do que para o consumo na TV aberta, onde a camada de aceitação é muito mais complicada.
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CRÍTICA | Yo no creo en los hombres: "Um verdadeiro covil de vilões onde a protagonista é encurralada e luta a todo instante para sobreviver"
Por: Hiago Júnior 13:00:00 evidência
| Adriana Louvier e Gabriel Soto em foto promocional da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: TelevisaUnivision |
Quando a Televisa resolveu revisitar um clássico das novelas, "Yo no creo en los hombres" através de uma outra versão em 2014, agora sob a tutela da produtora executiva Giselle González, muitos pensaram que ainda era cedo demais. Mesmo que a última adaptação fosse datada de 1991, o texto ainda era fresco na memória do público, muito por conta da afeição com o projeto. Porém, o melodrama seguiu seu curso e ganhou o famigerado remake - que contextualizado para o tempo espaço - absorveu novos núcleos, personagens, outra narrativa, temáticas, mas tudo priorizando a essência dos anos 90.
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| Gabriel Soto e Adriana Louvier em foto promocional da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: TelevisaUnivision |
Exibida no Brasil pelo SBT em 1993, o remake de 1991 produzido por Lucy Orozco nunca ganhou uma reprise com o passar dos anos, tampouco teve uma versão brasileira, tal como "Cañaveral de pasiones" por exemplo e nem ganhou uma exibição da adaptação de 2014, fruto desta crítica. Para entender melhor a trama estrelada por Adriana Louvier é preciso esmiuçar a telenovela, sendo assim, siga comigo e acompanhe a minha crítica de "Yo no creo en los hombres (2014)".
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| Adriana Louvier em pôster promocional da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: TelevisaUnivision |
Conheça a sinopse. Detalhe: esse texto contêm spoilers 🚨
María Dolores é uma menina pobre e de sentimentos nobres, que tem um grande talento para fazer vestidos de alta costura. Quando seu pai é assassinado, é ela quem acaba assumindo a responsabilidade de criar sua família. Ainda desolada pela morte de seu pai, María Dolores precisa ainda lidar com sua demissão de uma oficina de alta costura onde trabalhava, justamente por se opor ao assédio a que ela e outras costureiras eram submetidas por Jacinto, seu supervisor imediato.
No entanto, enlutada e com dívidas, María acaba tendo que reconsiderar voltar à oficina, já que o futuro de sua mãe Esperanza e Clara, sua irmã, dependem dela. Quando finalmente decide denunciar Jacinto, acaba conhecendo Maximiliano Bustamante, um advogado atraente e muito honesto, que fica profundamente chocado com sua beleza e se oferece para ajudá-la na questão do assédio.
Embora haja atração entre eles, ambos têm compromissos sentimentais. Ele está prestes a se casar com Maleny, uma garota da alta sociedade mimada e caprichosa que realmente não o ama e também o está traindo com seu professor de tênis - enquanto María Dolores; é a namorada de Daniel Santibañez, um jovem sem escrúpulos, que a trai, e pensa somente em dinheiro.
Daniel na realidade está noivo de Ivana, uma jovem milionária e fisicamente pouco atraente aos seus olhos, que o ajudará a evitar a ruína de sua família. Porém, antes de se casar com Ivana, Daniel deseja ter María Dolores a todo custo e torná-la sua. Para isso acaba recorrendo a um casamento “falso”. E ele consegue enganá-la. Pressionado por sua mãe a se casar com Ivana, Daniel abandona María Dolores à sua sorte e pior, a deixando-a grávida. Por sua vez, Maximiliano termina o noivado com Maleny ao descobrir que ela não é a mulher que ele pensava que era.
Desiludida, María Dolores tenta seguir com sua vida e criar o filho que está esperando, mas Daniel continua procurando por ela para forçá-la a continuar com ele. Sem retorno afetivo, Daniel a estupra, e na ânsia de ajudar a amiga e sua grande paixão, Julián tenta interceder e acaba sendo morto por Daniel, que para fugir do crime coloca a culpa em Maria Dolores, a mãe de seu filho que acaba de estuprar.
Ivana testemunha o assassinato, mas não diz nada pois acredita que María Dolores é uma mulher má. Desta maneira, ela é levada para a prisão, onde dá à luz seu filho, que entrega a Esperanza e Maximiliano, implorando que o protejam. Apesar de todos os esforços de Maximiliano, Daniel consegue manter a guarda do menino.
Maximiliano se dedicará a provar que María Dolores é inocente, o que eles não imaginam é que durante o processo ambos reconhecerão que estão apaixonados. Ivana é a única que poderia contribuir com a inocência de María Dolores, e ela concorda em testemunhar contra o verdadeiro assassino, mas em troca deseja que Maximiliano se case com ela.
María Dolores recupera sua liberdade, mas sua felicidade fica manchada quando descobre que Maximiliano também a traiu e vai se casar com outra. Ela só entende o sacrifício de Maximiliano, até que sua mãe e irmã explicam as razões pelas quais ele fez isso. Agora María Dolores está disposta a lutar incansavelmente contra sua rival, para recuperar seu filho e o homem que ama, que lhe devolverá a confiança, o desejo de amar e acreditar novamente nos homens.
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| Azela Robinson, Alejandro Camacho e Fabiola Guajardo em pôster promocional da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: TelevisaUnivision |
Roteiro
Original da escritora Caridad Bravo Adams, a versão de 2014 de "Yo no creo en los hombres" leva a adaptação de Aida Guajardo (Para volver amar) com a colaboração de Felipe Ortiz, sendo por sua vez, baseada na tradução de Marcia del Río (Mi Corazón es Tuyo) responsável pela remasterização da obra de 1991 estrelada por Saby Kamalich, Martha Navarro e Bruno Rey.
Com pouco mais de 120 capítulos, Aida Guajardo foi inteligente ao mesclar no roteiro todos os cenários possíveis para afugentar o telespectador em um jogo de intrigas e conflitos, onde a mocinha, defendida por Adriana Louvier sofre os mais diferentes processos de injúria, violência, descrédito e desamor. É uma tradução extremamente aflorada do sofrimento da mulher na sociedade em pleno século XXI.
| Créditos: TelevisaUnivision. Arte: @Hiago__Junior |
O texto é rápido e conciso, não apresenta grandes furos e pode facilmente ser compreendido. É uma novela com poucos núcleos e que se destaca pela forte presença de vilões e vilãs, aliás, essa é a marca da produção. Aqui não existe aquele enredo de "circunstâncias da vida" - pelo contrário; é tudo feito por simples e pura maldade. E talvez nesse sentido a protagonista acabe se tornando aos poucos uma figura menosprezada e diluída na trama, muito devido ao excesso de vilanias que ela sofre no decorrer dos capítulos. María Dolores é peça-chave, porém sua confiança exacerbada a cega em muitos momentos, a fazendo cair em trapaças que facilmente poderiam ser evitadas por um sentimento mais racional, metodologia que poderia ser facilmente atribuída a personagem devido ao seu passado tempestuoso e cercado de sofrimento. Porém esse amplitude não atrapalha a experiência do espectador, vez que, apesar desse sentimento de opressão, María Dolores é sim uma mocinha otimista e que está a todo instante em busca de justiça, para si e os seus.
| Adriana Louvier e Flavio Medina em cena da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: TelevisaUnivision |
A composição textual de Guajardo e Ortiz não se restringe somente a temática feminista, como também adentra na abordagem de temas de difícil aceitação. O estupro, por exemplo, é uma das ferramentas utilizadas pela adaptação para criar camadas densas ao entorno do núcleo principal, que conta ainda com argumentos que levam ao luto, prostituição, suicídio, assédio moral, sexual e também ao aborto. A princípio "Yo no creo en los hombres" parece ser uma produção extremamente melodramática (
Embora seja uma novela "pesada" o roteiro é eficaz ao introduzir conteúdos de forma aberta; a sexualidade do personagem Gerry (Pablo Perroni), por exemplo, é livremente abordada e contestada pelo seu núcleo - tal qual uma sequela da vida fora do ficcional - onde Ivana (Sonia Franco) acolhe o colega de trabalho, chegando até considerar ter um filho com o melhor amigo gay que é rejeitado pela tia Susana (Elizabeth Guindi) em uma perspectiva bem próxima da realidade.
A presença dos vilões e antagonistas são viscerais durante o desenrolar de todos os capítulos, contudo o contraponto do romance entre os protagonistas é bem duradouro e firme, fator que sustenta o drama do casal: o amor entre María Dolores (Adriana Louvier) e Max (Gabriel Soto) é limpo e bonito de acompanhar, dada as inúmeras renúncias que ambos fazem para enfim conseguirem viver uma paixão única. O texto abraça essa "causa" e em meio a dor, lágrimas e muito suor, faz surgir uma utopia, uma fantasia amorosa.
| Gabriel Soto, Sophie Alexander e Lenny de la Rosa em pôster promocional da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: TelevisaUnivision |
Temáticas
"Yo no creo en los hombres" se alimenta muito do factual, das manchetes de jornalecos policiais, das notas de revista, do glamour das passarelas. Ambientada no mundo da moda, o melodrama tem como principal proposta retratar a figura da mulher na sociedade moderna em pleno século XXI e tudo é difundido de forma ampla e robusta. É neste sentido que casos de assédio sexual e moral surgem ao redor das personagens, além de cenários de violência física, estupros, mansplaining e terror psicológico. O enredo não poupa nas representações, apostando em cenas de puro pânico. Dentre as temáticas exteriorizadas na telenovela constam também o alcoolismo, o suicídio, a gordofobia, o preconceito de classes, o tratamento de Pessoa com deficiência (PCD), entre outros.
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| Adriana Louvier, Flavio Medina e Sonia Franco em pôster promocional da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: TelevisaUnivision |
Direção
Toda a narrativa densa do roteiro de Aida Guajardo é abraçada pela direção de cena de Eric Morales, Xavier Romero e Luis Vélez - tanto que é notório enxergar uma espécie de extensão do texto - através da assinatura de uma direção cotidiana e direta, sem interpelações e maquiagens. Eric Morales é feroz em mais uma produção ao lado de Giselle González, sua mão é taxativa e colaborativa, conseguindo imprimir o melhor dos atores. Os traços de sua chancela são facilmente observáveis, principalmente pela proximidade com outra produção do trio, Para volver amar, que também se nutre da mesma seiva melodramática: o drama emocional e tangível. Com discursos de caráter social, Yo no creo en los hombres é visceral na entrega das cenas, como destaque, o suicídio da personagem Maleny interpretada por Sophie Alexander em uma das melhores atuações da atriz, rodeada pelos medos, anseios e sentimento de libertação. Jorge Amaya (Vino el Amor e A que no me dejas) e Lino Gama (En tierras salvajes e Las amazonas) também conduzem um belo trabalho na função de diretores de câmera.
| Sophie Alexander, Flavia Medina e Rosa Maria Bianchi em pôster promocional da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: TelevisaUnivision |
Produção
Parceria de Giselle González e Julieta De La O, "Yo no creo en los hombres" é sem sombra de dúvidas uma das melhores produções da dupla. A história clássica, bem adaptada e dirigida se destaca exponencialmente por conta do seu elenco, formado por estreantes, consagrados e promessas do teatro e cinema. Uma mistura eficaz que acabou tornando-se uma marca da produtora. Desta vez, em trabalho solo sem o seu amigo e produtor executivo Roberto Gómez Fernández, Giselle se aventura em uma telenovela harmônica, que respeita sua visão dentro da proposta "mulher" e também atinge o telespectador mais saudosista.
| Eleane Puell e Jesús Carús em pôster promocional da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: TelevisaUnivision |
Destaques
Rosa María Bianchi, Azela Robinson e Sophie Alexander apresentam atuações acima da média, não somente por darem vida a vilãs e antagonistas voláteis, turvas e ambíguas, mas pelo conjunto criativo. As personagens mais complexas e de difícil criação, as três são os maiores acertos da novela. Flavio Medina, o viés antagonista de Gabriel Soto é outro destaque positivo da trama. Seu personagem Daniel é um playboy com a mente perturbada, que não aceita a rejeição e vive apenas para atazanar María Dolores, a protagonista. Uma figura de profundidade marcante, Daniel é o estopim para a aceleração cardíaca dos telespectadores.
A presença de Cecilia Toussaint e Macaria no elenco é um presente ao público, Honoria e Esperanza são mães zelosas e que defendem seus filhos com unhas e dentes. Uma grata surpresa. O mesmo vale para o jogo cênico entre Fabiola Guajardo e Alejandro Camacho, uma carga dramática bem explorada e condizente com a temática em questão. O desfecho do "casal" foi coerente e até diferente do esperado. Estefanía Villarreal viveu com Doris uma experiência única que lhe trouxe até o momento a sua melhor personagem nas novelas. Empática, amiga leal e romântica, Estefanía moldou uma peça criativa intensa - que ao lado de Jorge Gallegos - ganhou ainda mais destaque. O casal Doris e Orlando é até hoje um dos melhores já produzidos pela Televisa.
| María Dolores (Adriana Louvier) e Max (Gabriel Soto) em cena da novela "Yo no creo en los hombres". Créditos: TelevisaUnivision |
Gabriel Soto e Adriana Louvier provaram que tem química para dar e vender, tanto é que repetiram a parceria anos mais tarde com "Caer en Tentación". Max é um advogado com senso de justiça e que enxerga a mulher como cúmplice, aliada, visão bem diferente dos outros homens da novela - atitude simples que conectada a humilde María Dolores transborda em afeição. É um casal para torcer do inicio ao fim, mesmo com os inúmeros percursos.
| Adriana Louvier e Gabriel Soto em cena da novela 'Yo no creo en los hombres'. Créditos: Tlnovelas |
A novela segue inédita tanto na TV aberta quanto nos meios digitais e isso é uma lástima, principalmente quando observado o potencial da novela em uma plataforma de streaming, por exemplo. Carregada de drama, sofrimento e lamúrias, Yo no creo en los hombres é aquela típica novela desenhada para ser apreciada aos poucos e com outra mais alegre a tiracolo. É um folhetim denso, criterioso e com aptidão para ILUSTRAR situações conflitantes de machismo, como reagem, principalmente os homens, quando as mulheres quando decidem dar um basta ao círculo de violência. Se adaptaria na TV aberta? Complicado, mas quem sabe com alguns cortes, não custa nada tentar.
P.S: "Não acredito nos homens" é a tradução literal da novela para o mercado africano, Angola e Moçambique onde a trama foi exibida com dublagem em português através do sinal da Zap Novelas.
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Onze (11) motivos para você assistir ‘Amar a Muerte’ no Globoplay
Por: Hiago Júnior 00:00:00 #EmEquipe , evidência
| Angelique Boyer e Michel Brown, os protagonistas de 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Após longos meses desde a primeira chamada na TV aberta, o Globoplay finalmente estreou no dia (04 de abril) em seu catálogo de streaming a novela mexicana ‘Amar a Muerte’ (Amar a Morte) - considerada um grande êxito, tanto no México, como nos Estados Unidos, a trama ganhadora de 14 Premios TVyNovelas aborda de forma ampla a transmutação de almas, um tema complexo e que foi poucas vezes abrangido em produções televisivas, principalmente na América Latina.
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| Pôster promocional da novela 'Amar a Muerte'. Créditos: Atresmedia / TelevisaUnivision / W Studios |
Adaptação da novela ‘En Cuerpo Ajeno’ do escritor Julio Jimenez, a parceria da Televisa com as produtoras Lemón Studios e W Studios, foi sagaz ao reconstruir uma obra original de 1992, agora sob uma perspectiva completamente diferente em 2018, onde o melodrama se mescla com o suspense e ação, criando uma nova narrativa folhetinesca, diferente aos olhares mais saudosistas e desconhecido do público brasileiro.
Se você estava pesquisando sobre o romance e chegou nesta matéria, significa que ‘Amar a Muerte’ é de seu interesse e te conquistou por algum motivo; ou ainda gera dúvidas. Para te ajudar nesse processo, elencamos 11 (onze) motivos para você acompanhar ‘Amar a Morte’ no Globoplay. Aproveite e leia também:
Entrevista com Leonardo Padrón, escritor de ‘Amar a Muerte’.
Novelas escritas por Leonardo Padrón.
Abordagem LGBTQIAP+ nas novelas mexicanas.
Crítica (Primeiras Impressões) de ‘Amar a Muerte’.
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Toda boa novela mexicana que honra o seu histórico deve ter uma protagonista de caráter doce, extremamente jovial, amorosa e casta, agora que você leu isso, esqueça tudo. Lucía Borges foge à regra. Interpretada por Angelique Boyer, no papel da sua carreira, a personagem é justamente o oposto do ‘padrão’ estipulado para uma mocinha melodramática de novela mexicana. Carregada de drama, suspense e muito sex appeal, durante os 88 capítulos de ‘Amar a Muerte’ Lucía joga com o telespectador, no sentido de apresentar diversas facetas, que vão do amor ao ódio, e tudo mesclado ao amor extraconjugal, estopim que a leva a outro patamar: o de uma mocinha anti-heroína.
Embora não seja uma obra original, ‘Amar a Morte’ é considerada uma adaptação livre de Leonardo Padrón baseando-se na criação de Julio Jimenez, ou seja, o clímax central é preservado, e novos enlaces ao seu redor são formados para constituir a versão moderna da trama. O que acaba diferenciando-se das anteriores, seja pela temática, enredo ou ainda pelo teor que a produção almeja alcançar.
Enredo: Criar uma novela não é tarefa fácil, pois além de conduzir um diálogo aberto com o público sobre o drama do casal protagonista, seus núcleos adjacentes e coadjuvantes, toda boa novela com N maiúsculo também carrega consigo o gene diferencial, um toque, que tem a função de fidelizar o espectador. Durante vários anos de telenovelas na América Latina, diversos temas foram abordados, revividos, até em demasia, o que acabou criando uma certa barreira do “produto” com o público final. É neste sentido que o gênero precisou se reinventar. ‘Amar a Muerte’ é o resultado desse discurso. Criada durante a mudança de gestão da Televisa, a obra é uma releitura de um clássico colombiano dos anos 90, porém com ambientação de série e corpo de novela.
Uma pareja caliente: Nas novelas latinas, os casais protagonistas tem a função de deter grande parte do enredo para si, são eles que alimentam a trama, gerem subtemas para os núcleos diretamente ligados aos seus, entre outros fatores. Isso não é uma regra, mas geralmente acontece. Desta forma, o público saudosista, logo nota quando foge do trivial e é neste momento que o “circo está armado”. Neste sentido, para contornar essa situação, os envolvidos numa produção do porte de ‘Amar a Morte’ precisam sempre criar meios para fidelizar o telespectador de outra maneira, seja criando enredos que fomentem intrigas, alusões ao folhetinesco ou ainda fugindo totalmente do óbvio, porém com o pé no clássico. Em ‘Amar a Muerte’ o casal protagonista é muito disso, não são clássicos, tampouco demasiadamente contemporâneos. O viés saudosista é preservado no quesito romance, intrigas e reviravoltas - enquanto, o modus operandi nupérrimo pode ser notado com a inserção de novas tecnologias, plots de ação, suspense e dramas que fujam do convencional, como a transmutação de almas. E para que tudo isso caminhe corretamente, a escalação deve ser bem assertiva. O que de fato é. Michel Brown e Angelique Boyer, compõem com cautela as várias facetas e nuances de seus personagens dúbios, questionadores e altamente vulneráveis. São várias camadas de drama, que exigem de ambos uma carga autoral extremamente precisa, situação completamente coerente com o visto em tela, como resultado final: o encaixe perfeito entre enredo, roteiro e direção. Uma boa entrega, uma excelente atuação.
Todas as formas de amar na televisão aberta: ‘Amar a Muerte’, sem sombra de dúvidas foi um divisor de águas na representatividade na televisão mexicana, devido ao sucesso mundial do casal Juliana Valdés e Valentina Carvajal, interpretado pelas atrizes Bárbara López e Macarena Achaga, ambas atrizes já conhecidas das produções latinas. Um romance retratado de forma natural, com idas e vindas, amores, desamores, discussões - além de ilustrar todo o preconceito das famílias em relação ao amor entre duas mulheres, os olhares tortos; como também os abraços e a aceitação, tanto de ambas como parte integrante de uma combinação amorosa bem como dos pares ao redor. Tudo claro e aberto.
Fotografia: Um dos pontos-chaves da novela é a fotografia, encabeçada pelos cinematografistas Horbado Chicangana e Gerónimo Denti Generali, responsáveis pela assinatura das novelas ‘Café con Aroma de Mujer’ e ‘100 Días Para Enamorarnos’ (ambas disponíveis na Netflix), é possível notar ao longo de toda a novela a belíssima fotografia que é diluída na trama, uma fotografia que vai do suave ao sombrio dando um contraste de sentimentos, e fazendo com que os telespectadores sintam as emoções através das lentes.
Direção: Outro ponto primoroso é a direção poderosa, ditada pela conexão direcional de Carlos Cock Marin, Joe Rendón, Alejandro Lozano e Rolando Ocampo, grandes nomes da direção mexicana - além da direção de arte elaborada de Marisa Pecanis, equipe que fez toda a diferença na trama, através de uma direção assertiva pautada pelas emoções em primeiro e segundo plano. Além disso, a direção leva ao espectador toda a emoção através dos inúmeros planos e enquadramentos que essa obra oferece.
Engajamento: Outro ponto que revela o sucesso da obra é justamente o seu engajamento nas redes sociais. Durante as exibições no México e Estados Unidos, a novela foi bastante comentada, alcançando inclusive o topo dos Trendings Topics nas redes sociais, e grande parte desse buzz se deve ao casal ficcional 'Juliantina', as idas e vindas do casal protagonista e os embates entre os vilões com a mocinha da trama. Quem acompanhou de perto sabe que todo dia era uma hastag nos temas mais comentados, além de uma enxurrada de comentários em fóruns especializados em cobrir novelas.
Vilões cativantes: Não podemos negar que um ponto a se observar na trama é o carisma dos vilões que são bem magnéticos, a começar pela vilã da história Eva, interpretada pela atriz Claudia Martin, uma das vilãs mais sedutoras dos últimos tempos. O que logo se atrela aos diversos sentimentos do público a seu respeito, enquanto muitos sentem raiva da personagem, outros gostam do seu posicionamento. Seguindo na linha de ceifadores, Johnny, interpretado por Alejandro Nones também se adequa ao estilo personagem cativante, mesmo com sua posição que levava à loucura, entregava um enredo fechado e rodeado de nuances. E para fechar o trio de grandes vilões, El Alacrán, vivido pelo ator Néstor Rodulfo, um misto de vilania com alívio cômico, transmitindo uma outra vibração ao telespectador.
Atriz e atores consagrados: Ligar a televisão em ‘Amar a Muerte’ é ter o privilégio de acompanhar grandes personagens vividos por atores veteranos da teledramaturgia mexicana, como por exemplo Bárbara, traduzida pela consagrada Raquel Garza. Conhecida do público brasileiro pelo seu papel em ‘A Feia Mais Bela’ - Garza deu vida a uma personagem médium na trama, responsável pelo desenvolvimento de alguns plots dentro do romance, outra consagração foi a de León Carvajal de Alexis Ayala, ator conhecido do público brasileiro através das novelas mexicanas exibidas no Brasil pelo SBT e CNT.
Uma trama super premiada: ‘Amar a Muerte’ é uma trama consagradíssima tanto de público, mas principalmente da mídia, obtendo aprovação máxima no “Óscar Mexicano” conhecido pelos meios como Premios TVyNovelas. Literalmente, a produção obteve 14 premiações das 15 indicações, como melhor novela, melhor elenco, melhor roteiro, trilha sonora, melhor direção e melhor atriz e ator entre outras indicações importantes para a trama. Portanto, é uma obra-prima digna de todas as indicações e prêmios, cujo folhetim fez história na teledramaturgia, marcando um antes e depois da mesma.
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| Angelique Boyer em cena da novela 'Amar a Morte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Toda boa novela mexicana que honra o seu histórico deve ter uma protagonista de caráter doce, extremamente jovial, amorosa e casta, agora que você leu isso, esqueça tudo. Lucía Borges foge à regra. Interpretada por Angelique Boyer, no papel da sua carreira, a personagem é justamente o oposto do ‘padrão’ estipulado para uma mocinha melodramática de novela mexicana. Carregada de drama, suspense e muito sex appeal, durante os 88 capítulos de ‘Amar a Muerte’ Lucía joga com o telespectador, no sentido de apresentar diversas facetas, que vão do amor ao ódio, e tudo mesclado ao amor extraconjugal, estopim que a leva a outro patamar: o de uma mocinha anti-heroína.
| Michel Brown em foto promocional da novela 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Embora não seja uma obra original, ‘Amar a Morte’ é considerada uma adaptação livre de Leonardo Padrón baseando-se na criação de Julio Jimenez, ou seja, o clímax central é preservado, e novos enlaces ao seu redor são formados para constituir a versão moderna da trama. O que acaba diferenciando-se das anteriores, seja pela temática, enredo ou ainda pelo teor que a produção almeja alcançar.
| Cena da novela 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Enredo: Criar uma novela não é tarefa fácil, pois além de conduzir um diálogo aberto com o público sobre o drama do casal protagonista, seus núcleos adjacentes e coadjuvantes, toda boa novela com N maiúsculo também carrega consigo o gene diferencial, um toque, que tem a função de fidelizar o espectador. Durante vários anos de telenovelas na América Latina, diversos temas foram abordados, revividos, até em demasia, o que acabou criando uma certa barreira do “produto” com o público final. É neste sentido que o gênero precisou se reinventar. ‘Amar a Muerte’ é o resultado desse discurso. Criada durante a mudança de gestão da Televisa, a obra é uma releitura de um clássico colombiano dos anos 90, porém com ambientação de série e corpo de novela.
| Angelique Boyer e Michel Brown em cena da novela 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Uma pareja caliente: Nas novelas latinas, os casais protagonistas tem a função de deter grande parte do enredo para si, são eles que alimentam a trama, gerem subtemas para os núcleos diretamente ligados aos seus, entre outros fatores. Isso não é uma regra, mas geralmente acontece. Desta forma, o público saudosista, logo nota quando foge do trivial e é neste momento que o “circo está armado”. Neste sentido, para contornar essa situação, os envolvidos numa produção do porte de ‘Amar a Morte’ precisam sempre criar meios para fidelizar o telespectador de outra maneira, seja criando enredos que fomentem intrigas, alusões ao folhetinesco ou ainda fugindo totalmente do óbvio, porém com o pé no clássico. Em ‘Amar a Muerte’ o casal protagonista é muito disso, não são clássicos, tampouco demasiadamente contemporâneos. O viés saudosista é preservado no quesito romance, intrigas e reviravoltas - enquanto, o modus operandi nupérrimo pode ser notado com a inserção de novas tecnologias, plots de ação, suspense e dramas que fujam do convencional, como a transmutação de almas. E para que tudo isso caminhe corretamente, a escalação deve ser bem assertiva. O que de fato é. Michel Brown e Angelique Boyer, compõem com cautela as várias facetas e nuances de seus personagens dúbios, questionadores e altamente vulneráveis. São várias camadas de drama, que exigem de ambos uma carga autoral extremamente precisa, situação completamente coerente com o visto em tela, como resultado final: o encaixe perfeito entre enredo, roteiro e direção. Uma boa entrega, uma excelente atuação.
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| Juliana e Valentina, um dos casais de 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Todas as formas de amar na televisão aberta: ‘Amar a Muerte’, sem sombra de dúvidas foi um divisor de águas na representatividade na televisão mexicana, devido ao sucesso mundial do casal Juliana Valdés e Valentina Carvajal, interpretado pelas atrizes Bárbara López e Macarena Achaga, ambas atrizes já conhecidas das produções latinas. Um romance retratado de forma natural, com idas e vindas, amores, desamores, discussões - além de ilustrar todo o preconceito das famílias em relação ao amor entre duas mulheres, os olhares tortos; como também os abraços e a aceitação, tanto de ambas como parte integrante de uma combinação amorosa bem como dos pares ao redor. Tudo claro e aberto.
| Cena da novela 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Fotografia: Um dos pontos-chaves da novela é a fotografia, encabeçada pelos cinematografistas Horbado Chicangana e Gerónimo Denti Generali, responsáveis pela assinatura das novelas ‘Café con Aroma de Mujer’ e ‘100 Días Para Enamorarnos’ (ambas disponíveis na Netflix), é possível notar ao longo de toda a novela a belíssima fotografia que é diluída na trama, uma fotografia que vai do suave ao sombrio dando um contraste de sentimentos, e fazendo com que os telespectadores sintam as emoções através das lentes.
| Michel Brown em foto promocional da novela 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Direção: Outro ponto primoroso é a direção poderosa, ditada pela conexão direcional de Carlos Cock Marin, Joe Rendón, Alejandro Lozano e Rolando Ocampo, grandes nomes da direção mexicana - além da direção de arte elaborada de Marisa Pecanis, equipe que fez toda a diferença na trama, através de uma direção assertiva pautada pelas emoções em primeiro e segundo plano. Além disso, a direção leva ao espectador toda a emoção através dos inúmeros planos e enquadramentos que essa obra oferece.
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| Claudia Martin como Eva Carvajal em 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
| Claudia Martin em foto promocional da novela 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
| Raquel Garza foi elogiada pelo seu trabalho na novela. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Atriz e atores consagrados: Ligar a televisão em ‘Amar a Muerte’ é ter o privilégio de acompanhar grandes personagens vividos por atores veteranos da teledramaturgia mexicana, como por exemplo Bárbara, traduzida pela consagrada Raquel Garza. Conhecida do público brasileiro pelo seu papel em ‘A Feia Mais Bela’ - Garza deu vida a uma personagem médium na trama, responsável pelo desenvolvimento de alguns plots dentro do romance, outra consagração foi a de León Carvajal de Alexis Ayala, ator conhecido do público brasileiro através das novelas mexicanas exibidas no Brasil pelo SBT e CNT.
| Angelique Boyer como Lucía Borges em foto promocional da novela 'Amar a Muerte'. Créditos: TelevisaUnivision / W Studios |
Uma trama super premiada: ‘Amar a Muerte’ é uma trama consagradíssima tanto de público, mas principalmente da mídia, obtendo aprovação máxima no “Óscar Mexicano” conhecido pelos meios como Premios TVyNovelas. Literalmente, a produção obteve 14 premiações das 15 indicações, como melhor novela, melhor elenco, melhor roteiro, trilha sonora, melhor direção e melhor atriz e ator entre outras indicações importantes para a trama. Portanto, é uma obra-prima digna de todas as indicações e prêmios, cujo folhetim fez história na teledramaturgia, marcando um antes e depois da mesma.
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Escrita por Hiago Junior e Camila Julia



