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#AndaComigo: Onde foi parar nosso tempo?



Dando corda no relógio

Passei quase um ano lendo um livro de 222 páginas. Lia, parava. Esquecia-o na prateleira. Buscava-o nas insônias. Abria-o em busca de inspiração. Abandonado por alguns meses entre tantos outros na minha biblioteca, aparecia em destaque, por cima daqueles que eu precisava ler com mais urgência, após a visita da faxineira, que remexia minha bagunça organizada e desarrumava tudo. Parecia carma.



Olhava para aquela capa vermelha com ilustrações de propagandas dos anos 1960 e prometia: “um dia termino”. Protelei por má administração do tempo ou por usá-lo excessivamente em outros objetivos. Sou desses: leio uns cinco livros simultaneamente. Paro de lê-los e começo a me dedicar a outros cinco. E assim vou acumulando leituras, textos, projetos, mesmo sendo um capricorniano nato, chato para a organização. Contudo, lá atrás, (e isso até parece uma incoerência) aprendi que não é preciso ser tão sistemático e me sentir culpado por não terminar algo que me dediquei com afinco em outras ocasiões. Brigo, diariamente, com as características do meu signo. “Será que me autocontrariar também é inerente ao meu perfil?”, a dúvida martela.

Não é mentira, mas cheguei à parte final no dia 1º de abril, recente. Foi um período longo demais para uma leitura, aparentemente, tão simples. E era mesmo, mas por ironia dos fatos, a obra trata justamente do tempo, do excesso ou da ausência dele na contemporaneidade. São 50 crônicas que relatam sobre situações em que o tempo era necessário no passado e que, atualmente, com a tecnologia, com as mudanças sociais, ele é usado de outra maneira. Ou deveria ser melhor aproveitado, já que muita coisa se transformou. Todavia, a sensação da falta de tempo nem o relógio consegue decifrar.

Um exemplo, que me recordo, são as mulheres que passavam horas lavando fraldas de pano, mas que, ultimamente, não conseguem nem comprar as descartáveis, justamente, por falta de tempo. O título do livro é a pergunta que completa a frase anterior: “Onde foi parar nosso tempo?”. O que a mãe fez com o tempo usado no tanque? Como ela utiliza aquelas horas em que esfregava, esfregava, esfregava? E agora? Cadê esse tempo? Difícil encontrar respostas, pois nem sabemos o que fazemos neste pouquíssimo tempo disponível nas 24 horas da rotação da Terra. Num piscar das pálpebras, o tempo voou, já temos outro aniversário para celebrar. Quer saber se o autor encontrou um caminho para nos ajudar? Só o tempo dirá...

Alberto Villas, autor de "Onde foi parar nosso tempo?"
Vivemos numa era em que tudo deve ser imediato, rápido, instantâneo. Estamos habituados ao comportamento da Geração WhatsApp, em que o retorno a uma conversa deve ser em segundos, senão você pode ser repreendido, bloqueado, excluído. Quem está do lado de lá cobra que você esteja no mesmo movimento do tempo dele. E isso gera uma angústia de quem dialoga neste novo sistema, muitas vezes, por não corresponder às expectativas. Entretanto, o jogo muda, quando quem precisa de uma resposta somos nós. Esperamos que nossa mensagem seja visualizada e correspondida assim que aberta no aplicativo. Para esse empurra-empurra há solução?

Ao fechar o livro, muitos pensamentos ocuparam minhas reflexões. Observei que tenho mudado desde quando li as primeiras páginas, evitando o desperdício do meu tempo com futilidades, apesar de acreditar que algumas são necessárias para a sobrevivência. Concluí que devo me dedicar a outros prazeres além dos oferecidos pela vida virtual, buscando fazer aquilo que realmente gosto como viajar, ler, assistir séries de TV, encontrar com a família e com os amigos, amar. Experimentar o tempo de cada atividade, aproveitar os momentos com mais dedicação e mais paixão e intensidade, deixando a velocidade do tempo no seu devido lugar.

Dica para quem ficou curioso sobre o livro: "Onde Foi Parar Nosso Tempo?" Autor: Alberto Villas. Editora Globo.


Resenha Editora Globo:

Era uma vez, num lugar não muito distante, e há não muito tempo, as salas de visitas. E, curiosamente, esses cômodos serviam para receber visitas em casa. Sim, amigos que chegavam de surpresa e eram bem-vindos, mesmo que ficassem para o jantar sem avisar. Para os indesejáveis, de toda forma, restava um último recurso: colocar atrás da porta uma vassoura de cabeça para baixo. Esse lugar era o Brasil, mais especificamente Minas Gerais, e esse tempo era os anos 60 e 70. Claro, se compararmos com os dias de avanços técnicos de hoje, havia naquela época graves problemas. O Toddy, por exemplo, demorava muito para desempelotar no leite, e as massas de bolo (que não era comprado pronto) precisavam ficar um tempo descansando. Lata de azeite só se abria com um preguinho, e as fraldas de pano precisavam ser lavadas. Tamanhas preocupações eram compensadas com goles de Crush e com a alegria de colecionar insetos pregados em um pedaço de isopor... Essas são algumas das situações que estão no livro "Onde foi parar nosso tempo?" do jornalista Alberto Villas. São 50 “verbetes”, ou seria melhor descrevê-los como “pílulas de memória”. A capacidade de observação e apreensão dos hábitos mais simples e a prosa leve e divertida são características de um memorialista, autor também dos sucessos "O mundo acabou!", "Afinal, o que viemos fazer em Paris?" e "Admirável mundo velho!". Para os que não haviam nascido ou eram muito pequenos para lembrar, "Onde foi para nosso tempo?" é uma oportunidade de conhecer um país mais caloroso, no qual as facilidades técnicas que hoje tomamos por naturais não existiam, mas havia mais tempo e gosto pelo convívio descompromissado e prazeroso da família e dos amigos. Já para os cinquentões, é uma deliciosa viagem de regresso àquela época.

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Juliano Azevedo

Jornalista, Chefe de Redação da TV Alterosa/SBT Minas, Mestrando em Estudos Culturais Contemporâneos pela Universidade FUMEC, Professor de Redação Publicitária na Faculdade INAP, Escritor e Palestrante.

Twitter: @julianoazevedo
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