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#BelaRecatadaEDoLar: Respeito é bom e eu quero!



Olá amoras! Nossa coluna hoje vem tratar de um assunto que infelizmente ainda causa polêmicas, pré-conceitos e discriminações. E por isso mesmo, com o objetivo de esclarecer alguns destes pontos que geram essas discussões, uma querida amiga, nos concedeu essa entrevista a seguir.

Ela tem 20 anos, solteira, porém namorando, homossexual. Vamos tratar ela aqui como Batman (ela ama o Batman), para preservar sua identidade.

Batman primeiramente muito obrigada por me conceder essa entrevista, sinta-se à vontade. Hoje esse espaço é seu. 

Minha primeira pergunta para você Batman é como e quando você descobriu (se é que o termo é esse) sobre sua sexualidade?

BT:  Haha! Vamos lá... Eu soube desde criança que eu era diferente das demais, não só porque eu brincava com Power Rangers, ou queria ser o Batman sempre, mas porque eu me sentia diferente em relação as mulheres que eu via, principalmente quando a gente começava a olhar para as pessoas com admiração, sabe quando a gente entra na adolescência e começa a reparar em coisas que não notava. Tipo, eu não sentia só uma admiração normal pelas professoras. Ou não achava só bonitas as mulheres que eu via na rua. Tem pessoas que brincam de Barbie a vida inteira e mesmo assim acabam se descobrindo, então não devemos levar ao pé dá letra essa questão.

Partindo de sua resposta, como você mesma disse que já sentia que era diferente das outras garotas, porque demorou tanto para assumir à si mesma sua homossexualidade?

BT- Acredito que a minha demora se deva ao fato religioso, porque todas as pessoas ou em grande maioria delas, tem seu primeiro contato religioso através dos pais, e assim foi comigo.

Alguns grupos extremistas, principalmente de religiosos dizem que homossexuais são pecadores, isso afeta ou já afetou você de alguma maneira?  Você tem alguma religiosidade ou sua sexualidade te afasta de Deus?

BT- Isso foi o grande empecilho que fez com que eu prolongasse a minha decisão de contar para minha família e amigos sobre minha sexualidade. Fui criada dentro de uma igreja com doutrinas seríssimas sobre a maneira como devemos nos vestir, e até mesmo se devemos ou não cortar os cabelos, manter esse padrão é visto como obediência as leis de Deus, e qualquer coisa fora disso é algo mal visto. A questão dá sexualidade então, sempre foi vista como um pecado passível de condenação eterna como eles acreditam, então isso sempre me afastou de quem eu sou, mas nunca me afastou de Deus, porque penso eu que todo ser humano capaz de amar o próximo, mesmo que seja um do mesmo sexo, também é um filho de Deus e também é amado por ele, assim como são amados as crianças, os héteros, os trans, os travestis, as drags e etc.

O que foi mais difícil?  Assumir quem você é de verdade ou fingir ser o que os outros esperavam que você fosse?

BT- Definitivamente foi fingir ser alguém que eu não conseguia corresponder, alguém que eu tentava manter. É extremamente difícil, o fato de aceitar-se como é, no meu caso, cresci acreditando que ser gay é extremamente errado, então foi uma luta diária comigo mesma sobre ser quem eu sou, e a partir do momento que eu percebi que não podia ser mudada e que me aceitei como ser humana comum, aí sim, eu consegui me assumir para as demais pessoas, e passar segurança a elas, para que mesmo elas não me aceitando, me respeitem e me vejam como uma igual.

Você com certeza conhece várias pessoas do grupo LGBT. Quais são suas principais preocupações?

BT- Nossas principais preocupações são no geral a reação das pessoas conosco, se vão nos tratar como iguais, ou se vamos ter como retorno um ódio gratuito e desrespeito, apenas por existirmos. O que nós queremos, é igualdade. Um hétero não é agredido na rua por ser hétero, assim como nós não deveríamos ser agredidos por sermos gays.

Você é uma mulher que trabalha, estuda, paga contas, tem família, amigos, ou seja, normal como eu ou qualquer outro. Então porque você acha que as pessoas se preocupam e até matam pelo o que você faz com sua vida e suas escolhas sexuais?

BT- As pessoas matam, agridem e desrespeitam, pelo ódio, ódio gratuito. A religião não incita ninguém a nos odiar de tal maneira, com exceção das religiões extremistas. Somos odiados por fugir dá regra, por ser diferente, e muitas vezes por acharem que somos influenciadores.

Você já sofreu algum tipo de preconceito devido sua orientação sexual?

BT- Sim, isso é muito frequente, já passei por várias situações em que somos vistas aos olhos principalmente de homens, como um fetiche, então eu e minha namorada tentamos ao máximo não deixar transparecer que somos um casal quando estamos em locais públicos, pelo assédio e pelo preconceito que sofremos. Embora não seja frequente, infelizmente acontece. Também teve um episódio recente, no dia internacional das mulheres, estávamos em um grupo de mulheres e esse homem se aproximou e cumprimentou a todas, e a mim disse que não iria dar os parabéns pois não me considerava mulher, já que eu dormia com uma pessoa do mesmo sexo. Respondi ao iluminado, que tem que ser muito mulher para ser como eu.

Essa pergunta é bem pessoal mas não posso fugir dela.  Você teve relações sexuais com homens? Se sua resposta for não, como você sabe que não sente prazer com homens e que prefere mulheres sexualmente falando?

BT-  Já tive um relacionamento heterossexual , entretanto não tivemos relações, acredito que por minha falta de confiança com o meu parceiro. Essa é uma questão interessante, porque é intrigante que mesmo não tendo tido relações sexuais com meu ex-parceiro, me sinta segura e confiante com a pessoa com quem estou, acredito que o ser humano é feito de desejos, e meu desejo maior sempre foi uma figura feminina.

Você pretende ter filhos? Se sim, seria através de qual forma? Adoção, fertilização in vitro ou método natural.

BT- Hahhaa pretendo sim. Adoção é a minha primeira escolha. Acho que dar amor e carinho para uma criança já nascida e que não teve esse privilégio, é a maior realização de uma vida.

Batman, gostaria e tenho muitas perguntas para fazer mas o espaço não nos permite. Para finalizar, se todas as pessoas do  mundo hoje estivessem te ouvindo o que você diria ou pediria a eles? Sinta-se à vontade para deixar sua mensagem.

BT- Pediria que tivessem compaixão por nós, essa é a palavra. Compaixão por quem sofre diariamente com preconceito e ódio, simplesmente por ser gay. As pessoas com quem dormimos ou acordamos todos os dias, a roupa que vestimos, ou mesmo nosso sexo, não dizem tudo a respeito de nós, somos mais que isso, somos pessoas como qualquer um, nós amamos como vocês, nós sentimos dor como vocês, somos feitos de carne e osso assim como todos e merecemos essa igualdade, merecemos o respeito. Nós só queremos ser respeitados, e que o preconceito seja considerado daqui algum tempo, uma palavra pouco usada no mundo todo.

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No final dessa entrevista além de me emocionar tive a certeza absoluta de que LGBTs não precisam de nossa opinião, compreensão, ou aval. Não importa se você aceita um homossexual, não importa se sua religião diz que é pecado. 

A única coisa que eles precisam, e digo mais não é apenas LGBTs. O que mais precisamos urgentemente no mundo é algo simples: Respeito! Simples assim. Se você não concorda com alguém que é diferente de você, seja na orientação sexual, seja na raça, seja na religião, limite-se a guardar sua opinião para si e tenha RESPEITO.

Muito obrigada Batman. Vamos fazer nossa parte para que em um futuro não muito distante, você possa sair com sua namorada de mãos dadas, sem ter que dar explicações a ninguém.

#BelaRecatadaEDoLar



Siga-me no Twitter: @dannydemoura



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