Aparato do Entretenimento: Trilogia das Marias, um sucesso de vendas: Conheça os nomes por trás da franquia de novelas protagonizadas por Thalía
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Trilogia das Marias, um sucesso de vendas: Conheça os nomes por trás da franquia de novelas protagonizadas por Thalía

Thalia em fotos promocionais das novelas 'Maria Mercedes', 'Marimar' e 'Maria do Bairro'. Créditos: Televisa S.A

No começo dos anos 90 a Televisa resolveu reviver grandes clássicos da novelista cubana Inés Rodena na tentativa de angariar um novo público que estava até então acostumado com a atriz Verónica Castro neste tipo caricato e bem sucedido de jovem moça sofrida.

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'Maria Mercedes', 'Marimar' e 'Maria la del barrio' nasceram desta ideia, situação que alavancou a carreira da jovem atriz e cantoria Thalía para o status de 'rainha das novelas' assim como renasceu o cenário de vendas, panorama que permanece intacto até hoje. A trilogia das Marias é um sucesso incontestável de repercussão ao redor do mundo.


Carmen Salinas e Thalía em foto promocional da novela 'Maria Mercedes'. Créditos: Televisa S.A

Thalía é o rosto que estampa as três telenovelas, porém por trás do rosto bonito e da boa interpretação, existem outros nomes importantes que fizeram desta trilogia um êxito mundial. Nesta matéria destaco alguns deles, desde o figurino exacerbado e colorido, até a fonografia e equipe de roteiro, direção e produção. Siga comigo, vamos conversar sobre as Marias.



Thalía em foto promocional da novela 'Marimar'. Créditos: Televisa S.A

A música é presença marcante nas três telenovelas interpretadas por Thalía e um fato em comum diz muito sobre esse sucesso, todas as canções foram compostas por Viviana Pimstein, filha de Valentín Pimstein produtor que deu alma e vida aos melodramas mexicanos. Outro nome comum é o de Paco Navarrete, profissional responsável pelas trilhas sonoras de novelas como 'Simplemente María (1989)', 'Carrusel de las Américas (1992)' e 'Ángela (1998)' que assina junto a Viviana a área fonográfica dos folhetins. A ambientação também se repete nos videoclipes, sendo através da música o alicerce das obras, com direito a roupas extravagantes, muita dança, sensualidade e sobretudo interpretações marcantes de Thalía nos vocais.



Foto promocional da novela 'Maria la del barrio'. Créditos: Televisa S.A

Cenários pobres contrastados com o luxo, foi desta maneira que a construção dos remakes da trilogia se fizeram. Com uma clara divisão de classes e a alusão aos contos de fadas, as Marias encantaram pela simplicidade, o jeito destrambelhado e em especial pela paixão até cega por homens incoerentes. Criar essa imagem tão forte e imaginativa na mente do telespectador não é uma tarefa fácil, porém insistir em partes de uma mesma equipe pode ajudar. Desta perspectiva nasceu a c
enografia e ambientação dos folhetins de Thalía, sempre com a repetição de um nome do primeiro acerto (Maria Mercedes) as tramas se consolidaram com a implementação de cenários coloridos, alegres e espontâneos. Na primeira das três, Juan Antonio Sagredo e Pilar Campos é a dupla responsável pela vitrine, enquanto em 'Marimar' Gabriela Lozano aparece junto a Juan, e por fim em 'Maria la del Barrio' quem repete os créditos é Gabriela agora com Fernando Molina ao seu lado.

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Juan Antonio Sagredo ainda fez parte da equipe de arte das novelas 'Amor Real', 'La Usurpadora' e 'Lazos de Amor' enquanto Gabriela Lozano atuou na criação dos cenários da clássica 'Capricho' trama protagonizada por Victoria Ruffo, Diana Bracho e Humberto Zurita em 1993, já Fernando Molina esteve em 2016 no departamento de arte da supersérie de Carmem Armendáriz, 'Yago' o remake da turca 'Ezel'.



Família da protagonista Maria Mercedes. Créditos: Televisa S.A

A caracterização e cenografia chamam bastante atenção na trilogia e isso é um fato, seja pela alegria ou ainda pelo tom até caricato dos personagens, porém essa autenticidade anda sempre de mãos dadas com outras duas questões muito importantes, a direção de câmera e cena. Consideradas o braço direito de uma boa novela, ambas direções respondem pelo aspecto emocional e direcional de uma obra folhetinesca. Na trilogia das Marias essa fidelidade foi mantida na mesma intensidade por dois profissionais gabaritados na função de diretores de câmera: Antonio Acevedo e Carlos Guerra Villarreal, respectivamente Maria Mercedes, Marimar e Maria la del barrio (Acevedo novamente). A entonação exacerbada da protagonista, o estilo despojado e destrambelhado, os personagens dúbios e sobretudo a ousadia em apostar no dramalhão burlesco como resposta, fizeram da direção de câmera uma espinha dorsal íngreme dos projetos. A escolha não foi proposital, Antonio, por exemplo foi o responsável pela direção da novela 'Volver a empezar' de 1994 que trouxe os cantores Yuri e  Chayanne como protagonistas, razão que anos mais tarde em 1999 o levou a direção de 'Mujeres engañadas' clássico protagonizado pela cantora Laura León. Carlos Villareal também deixou sua marca em 'Marimar', nome responsável pela direção dos êxitos 'De pura sangre (1985)' e 'Imperio de Cristal (1994)' apostou alto na virada de personalidade da mocinha, explanando seu plano de vingança com direito a takes marcantes e impondo até então a única simbologia de 'vilã' que Thalía teve em toda sua carreira na presença de Bella Aldama.

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Thalía como a protagonista de 'Maria do Bairro'. Créditos: Televisa S.A

É curioso notar que mesmo com direções diferentes a essência foi preservada, e isso tem um motivo - ou melhor - um nome, Beatriz Sheridan. Atriz, diretora e preparadora de elenco, Beatriz foi a encarregada pela direção de cena de todas as novelas citadas nesta matéria, razão que logo a uniu a direção de câmera na criação de personagens extremamente memoráveis. A verdadeira alma e o gestual dos folhetins, Sheridan foi a base do sucesso dessa trilogia, tanto que a sua permanência foi respeitada em todas as oportunidades. Atuações dramáticas, gesticulações frequentes e vilões alucinados nas expressões faciais são apenas alguns exemplos da sua mão sobre as obras. Outra ressalva importante é a escolha assertiva de Sheridan, amiga do produtor Valentín Pimstein a diretora já havia participado de outros sucessos anteriormente: 'Rosa Salvaje' com Verónica Castro em 1987, 'La indomable' com Leticia Calderón também em 1987 e 'Simplesmente Maria' com Victoria Ruffo em 1989 - somado a isso destaca-se também a trajetória dela como atriz, trazendo consigo uma bagagem de anos como preparadora de elenco, Sheridan deu vida a personagens emblemáticas em novelas como 'Tormenta de pasiones' (1965), 'Lucia Sombra' (1971), 'La venganza' (1977), 'Nosotras las mujeres' (1981), 'Vivir un poco' (1985), 'Alondra' (1995) além de pequenas participações nas conhecidas '¡Vivan los niños!', 'Carita de ángel' e 'Amor Real'. Beatriz Sheridan faleceu em 2006 e sua despedida nas novelas se fez no remake da venezuelana 'Contra viento y marea' que recebeu o mesmo título sob a chancela de Nicandro Díaz González em 2005, na ocasião Sheridan dirigiu e deu vida a personagem Carlota Rudell. 


Chantal Andere deu vida a Angélica Santibañez, a grande vilã de 'Marimar'. Créditos: Televisa S.A

Em outras matéria já escrevi sobre a função do produtor associado nas novelas mexicanas, mas em suma esse profissional tem sobre sua incumbência atuar como apoio a figura do produtor executivo. Nas telenovelas protagonizadas por Thalía essa função foi atribuída a Salvador Mejía (Maria Mercedes), Maricarmen Marcos (Marimar) e Paulina Viesca (Maria la del barrio) - 'praticamente lançados' por Pimstein que nesta época gerenciava a equipe e criação de novelas para a Televisa, os três anos mais tarde assumiram produções próprias, seja na própria emissora ou outros canais. O mais bem sucedidos dos três é sem dúvida Salvador Mejía, sob sua assinatura pesam por exemplo as novelas 'Esmeralda', 'Abrázame muy fuerte', 'La Usurpadora', 'Rosalinda', 'La madrastra' e agora 'Triunfo del amor' todas exibidas pela TV aberta brasileira através do SBT. Um caso curioso é que tanto Maricarmen quanto Paulina trabalharam com Mejía como produtoras associadas após a promoção dele ao cargo de produtor executivo. E aqui a mesma história da direção se repete, a exemplo de Beatriz Sheridan que mesmo com profissionais diferentes manteve a essência, neste caso é a mão de Valentin Pimstein que se fez presente, seja como produtor executivo ou como 'uma voz nos ouvidos' dos produtores executivos ou associados que receberam o presente de assinar a trilogia das Marias.

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Itatí Cantoral como a inesquecível Soraya Montenegro de 'Maria la del Barrio'. Créditos: Televisa S.A

Com grandes expectativas para lançar novos produtores de novelas, Valentín Pimstein optou por assinar somente o primeiro melodrama da trilogia ao lado do amigo de longa data o também produtor Carlos Sotomayor (Valéria e Maximiliano, Cadenas de amargura e Pasión y poder). Desta maneira em 'Marimar' a escolhida foi sua filha Verónica Pimstein enquanto 'Maria la del barrio' Angelli Nesma Medina foi a agraciada. Logicamente 'os olhos, voz e ouvidos' continuaram sendo os de Valentín - que deu asas para novos profissionais com a sua tutela em curso. Mesmo com essa ajuda, Verónica voltou somente em 2006 a produzir uma novela 'Por Amor' trama da RCN Televisión protagonizada por Ana María Medina, Abel Rodríguez e Mónica Franco, seguida em 2007 por 'La marca del deseo' também da emissora colombiana que trazia Stephanie Cayo, Mimi Morales e Juan Alfonso Baptista nos papéis principais. Por sua vez, Angelli Nesma conquistou uma carreira consolidada na Televisa, com o término de 'Maria do Bairro' carimbou sua carteira de trabalho como produtora executiva nas telenovelas 'Mi querida Isabel', 'Sin ti', 'Camila', 'Por tu amor', 'Por un beso', 'Niña... amada mía', 'Apuesta por un amor', 'Amar sin límites', 'Al diablo con los guapos', 'Un gancho al corazón', 'Llena de amor', 'Abismo de pasión', 'Lo que la vida me robó', 'Que te perdone Dios', 'Tres veces Ana' e 'Me declaro culpable'. Logicamente cada uma delas deu a sua visão acerca das telenovelas, sendo parte fundamental do processo de criação e produção, contudo a linha autoral seguiu o mesmo molde criado em 1992 com 'Maria Mercedes' com personagens dramáticos, caricatos e com uma boa dose de simpatia com o público, tudo através da perspectiva de uma protagonista pobre, maltratada e que dá a volta por cima após se refinar e ascender socialmente na figura de uma mulher destemida, bonita e que tem o apoio de um homem a tiracolo. Neste sentido o último elo surge, o texto. 

Laura Zapata deu vida a Malvina, a grande vilã de 'Maria Mercedes'. Créditos: Televisa S.A

Baseadas nas obras novelescas da cubana Inés Rodena, a trilogia das Marias foi adaptada integralmente pelo escritor Carlos Romero, o cérebro por trás das peripécias dramáticas das protagonistas de Thalía. Com direito a diálogos simples e bordões inesquecíveis, Carlos Moreno aumentou a dose de drama nestas versões revisitadas das obras anteriores de Pimstein e alocou junto ao drama a perspectiva 'povão' - deixando de lado o cenário cult das anteriores e tornando desta maneira a novela mais palpável ao seu novo público. Se você analisar friamente 'Rina' (1977), 'La venganza' (1977) e 'Los ricos también lloran' (1979) tinham uma aproximação mais frequente com o clássico e consequentemente com diálogos mais bem trabalhados, com a remasterização das três em 'Maria Mercedes', 'Marimar' e 'Maria la del Barrio' esse viés foi substituído por uma ambientação mais próxima ao popular, fato que chamou atenção do público e tornou a trilogia um sucesso. Carlos Romero ainda voltou a reviver o mesmo texto em duas oportunidades agora ao lado de Nathalie Lartilleux, primeiro em 2004 com 'Inocente de ti' e depois em 2013 com 'Corazón indomable', versões de 'Maria Mercedes' e 'Marimar', respectivamente.

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Existem muitos outros nomes por trás do êxito mundial da trilogia das Marias. Você se recorda de mais algum? Deixa aqui nos comentários ou me procure no Twitter. Até a próxima!

Escrito por Hiago Júnior
Siga-me no Twitter: @Hiago__Junior 



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