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Chiquititas: conheça as inspirações por trás da novela

Créditos - Reprodução da Internet

Recentemente, grande parte do elenco da primeira versão brasileira de "Chiquititas" se reuniu na live "Anos Depois", para a emoção dos fãs saudosistas. Uma série documental de mesmo nome, com os bastidores da novela, também foi anunciada no evento virtual - que levou os próprios atores da novela às lágrimas.

A reunião teve ainda uma divertida homenagem ao ator Gésio Amadeu - o eterno Chefe Chico. Amadeu contraiu o COVID-19 e segue internado, em tratamento. 

O elenco interpretou a música-tema de Chico e o clipe contou com a participação do argentino Omar Calicchio, que reviveu o Alfredo de "Chiquititas".


PIMPOLHO: O elenco da primeira versão brasileira da novela na penúltima temporada, em 1999. Créditos - Reprodução da Internet

Nos comentários da gravação disponível no Youtube, pedidos por uma reprise de "Chiquititas Brasil" são unanimidade. Alheio, o SBT segue reexibindo uma edição compacta da novela de 2013, mesmo a contragosto de internautas que protestaram no Twitter assim que a nova reprise foi anunciada.

Para o público das antigas, a sua "Chiquititas" será sempre insubstituível. 


Versão de 2013 conseguiu segurar a audiência de "Carrossel" (2012). A novela de 1997 estreou querendo a mesma repercussão. Créditos - Reprodução da Internet

Nas duas épocas em que o SBT decidiu apostar na novela que consolidou a produtora Cris Morena como criadora de séries infanto-juvenis arrebatadoras, "Chiquititas" estreou com a missão de repetir o sucesso da novela "Carrossel" - como disse a atriz Flávia Monteiro em entrevista antes da novela estrear, em 1997.

Após a estreia, "Chiquititas" se transformou em um fenômeno surpreendente, com recordes de vendas em CDs e produtos licenciados.

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Vários fatores fazem "Chiquititas" - cuja versão original celebra seus 25 anos em 2020 - dominar a infância de crianças telespectadoras por onde passe - considerando que já ganhou versões no México, em Portugal, na Romênia e em Israel.

A começar pela fórmula da original argentina, totalmente inédita à época de sua estreia, em 1995. 


SEMPRE: A saudosa Romina Yan e o elenco da novela original argentina na terceira temporada, em 1997. Créditos - Reprodução da Internet

Em 2019, Morena (também criadora dos sucessos "Rebelde", "Floribella" e "Quase Anjos") revelou que, na Argentina, "Chiquititas" teve um começo fraco. A audiência não ia bem e Gustavo Yankelevich - o cabeça do canal Telefe, que produzia a novela - já queria tirar as órfãs do ar. 

O sucesso veio após Morena - que só era a compositora das músicas - assumir o comando como produtora, mudando os roteiristas e a forma de se trabalhar com o elenco mirim.


Cris Morena com o elenco da novela brasileira em 1998. Créditos - Reprodução da Internet

A trama envolvendo crianças órfãs, fantasia, a chegada da adolescência e a busca pela identidade apostava em números musicais dançantes, misturando o novelão típico com um espetáculo da Broadway - algo que parecia ter vindo do teatro, na realidade criado para a televisão. 

Inevitavelmente, "Chiquititas" seria levada aos palcos com espetáculos anuais recordistas de bilheteria no Teatro Gran Rex, em Buenos Aires. Nos shows, Cris Morena aproximava os astros mirins do público que os idolatrava e no formato que é sua inspiração maior - o musical.

Como a própria disse em entrevista, em janeiro de 2020: 
Toda criação minha começa com uma canção. A música é o meu grande poder. 



Além de musicais clássicos, "Chiquititas" - em todas as suas encarnações - também homenageia e possui similaridades notáveis com obras-primas da literatura universal ou do cinema. 

Confira alguns deles:





ANNIE - Em 1998, o autor Gustavo Barrios revelou que Gustavo Yankelevich o solicitou uma "história de orfanato" similar à do filme de 1984. 

A pequena órfã ruiva surgiu como personagem de tirinhas na década de 1930 e virou musical pela primeira vez em 1977. O espetáculo se tornou uma lenda do teatro e já virou filme quatro vezes - além da versão de 1984, há uma continuação de 1995 e remakes em 1999 e 2014.


ATÉ 10: Elenco interpretando "It's a Hard Knock Life" em montagem de "Annie" e as chiquititas interpretando "Hasta Diez" ("Até 10") no original argentino;






Na história, Annie é uma entre um grupo de meninas moradoras do orfanato administrado pela Sra. Hannigan, uma alcoólatra que as obriga a faxinar o prédio diariamente. 

"Chiquititas" referencia o antagonismo entre a megera e as órfãs nas personagens de Ernestina, Matilde e Carmem.





As órfãs descrevem sua vida difícil no hino "It's a Hard Knock Life" - enquanto as chiquititas reclamam de serem obrigadas a faxinar o orfanato Raio de Luz na canção "Até 10". A coreografia da canção também faz referência ao musical do filme.


AMANHÃ: Annie conforta Molly na canção "Maybe" no filme de 1984; Mili ampara Maru no clipe de "Mentiritas" ("Mentirinhas"). Créditos - Reprodução da Internet

Esperançosa, Annie acredita que seus pais um dia voltarão e especula sobre suas vidas e características na canção "Maybe". Em "Chiquititas", Mili faz o mesmo na inesquecível "Mentirinhas". 

Ambas Annie e Mili guardam medalhões com uma mensagem inscrita, a única lembrança de seus pais.


ERA UMA VEZ: Internas viajam com Sara em "A Princesinha" (1995). Mili também é uma contadora de histórias em "Chiquititas". Créditos - Reprodução

Vale observar que Mili também possui fortes similaridades com a personagem Sara Crewe do livro "A Princesinha", da autora Frances H. Burnett: uma interna contadora de histórias em uma lar de meninas, que acaba órfã e sofrendo nas mãos de uma mulher amargurada. 

Sara também guarda um medalhão de lembrança dos pais no filme de 1995, dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón. Contudo, não há confirmações sobre uma inspiração de "Chiquititas" no longa, que só estreou na Argentina no ano seguinte.


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FRED ASTAIRE, DONALD O'CONNOR e GENE KELLY - Ao trio de dançarinos célebres de Hollywood é creditada a inspiração para as coreografias de "Chiquititas" - em particular o sapateado de "Tudo Tudo" ("Todo Todo"). 






A canção também tem arranjos similares aos de "New York New York", um clássico de Frank Sinatra.



O JARDIM SECRETO - Essa outra obra-prima de Frances H. Burnett também é lembrada por "Chiquititas". Na terceira temporada da novela, o personagem Roña (Neco, na versão brasileira) descobre Lucia, uma menina vivendo nas entranhas do solar que se torna a nova casa dos órfãos. 

Lucia é mantida cárcere privado em um quarto sem janelas pela avó Helena, que pensa protegê-la. O misterioso patrão da governanta nunca aparece na casa.


Roña encontra Lucia em "Chiquititas" (1997) e Mary e Colin se conhecem em "O Jardim Secreto" (1993). Créditos - Reprodução

A trama de Lucia se assemelha à do personagem Colin Craven,  menino mantido em cárcere pela governanta de sua mansão, a Sra. Medlock. Saudável, Collin é tratado como enfermo e paralítico por Medlock e todos os empregados, sendo resgatado pela prima Mary Lenox. 

Patrão de Medlock e pai de Colin, o lorde Achibald Craven vive ausente da mansão, tal qual o benfeitor misterioso de "Chiquititas". O filme "Chiquititas: Rincón de Luz" (2001) recria a cena em que Mary e o fazendeiro Dycon removem as tapadeiras das janelas de Colin, utilizando cavalos.



O FANTASMA DA ÓPERA - O pai de Mili nunca foi visto na versão original da novela, sendo sua aparição uma ideia original de "Chiquititas Brasil". 

Aqui, o pai da protagonista é o mascarado Miguel - uma paródia de Erik, o Fantasma da Ópera do romance homônimo de Gaston Leroux. A obra virou espetáculo da Broadway em 1986. 


BU! "O Fantasma da Ópera" em montagem da Broadway em 1988 e os "fantasmas" que assombraram - e se tornariam amigos - das chiquititas. Créditos - Reprodução da Internet

A sexta temporada da novela argentina ("Chiquititas 2000") introduziu  o personagem Rafael Sander, também mascarado e espreitando o orfanato à procura do filho. Sander foi vivido pelo ator Iván Espeche, de carreira consolidada no teatro. 

Com o personagem, "Chiquititas" também espelha "O Fantasma da Ópera" nos palcos - Espeche é como o próprio Erik no espetáculo da sexta temporada.

"Chiquititas 2000" foi exibida como uma série à parte pelo SBT em 2007.


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A NOVIÇA REBELDE - A quinta temporada da novela argentina foi, na prática, um reboot da série. A história nova - situada no campo - trazia a influente família Maza, composta pelo patriarca viúvo Juan (Dario Grandinetti, de "Relatos Selvagens") e seus sete filhos. As crianças encontram uma mãe na lúdica Ana (Grecia Colmenares).

O SOM DA CANÇÃO: A família Maza na quinta temporada de "Chiquititas" (1999) e a família von Trapp em "A Noviça Rebelde" (1965). Créditos - Reprodução da Internet

A trama dos Maza, é claro, se espelha no famoso musical da família von Trapp, no qual a governanta Maria (Julie Andrews) se torna mãe para os sete filhos do Capitão von Trapp. Essa trama também é uma das inspirações de "Floricienta" - a nossa "Floribella" -, na qual a protagonista humilde se torna parte da vida de seis irmãos órfãos e ricos.

"A Noviça" também é a referência maior do filme "Rincón de Luz". Diferente da novela e mais próximo ao clássico de 1965, o longa é um musical de época.


MARY POPPINS - O outro musical lendário de Julie Andrews não poderia ficar de fora de "Chiquititas". O visual icônico de Herbert "Bert" Alfred é lembrado no clipe "Album de la Vida", bem como alguns dos passos de "Supercalifragilisticexpialidocious".

Visual de Bert é lembrado no musical "El Album de la Vida", na quinta temporada de "Chiquititas". Créditos - Reprodução da Internet.

"Chiquititas 2006" marcou o retorno de Cris Morena ao canal Telefe após o término conturbado da série original, em 2001. 

Na história nova, a mãezona das chiquititas não mais era uma jovem convencional - os órfãos do lar administrado pela família Dumont (uma família Addams versão novela) são surpreendidos pela chegada inusitada de Lili, uma babá encantada e homenagem caricata a Mary Poppins. 

"Chiquititas 2006" é como uma série não-oficial do Disney Channel, com uma dose a mais de inocência, cores e fantasia em comparação à série original.

Créditos - Reprodução da Internet

Lili foi a primeira protagonista da atriz Jorgelina Aruzzi. Como Iván Espeche, ela também vinha do teatro e contou com ajuda da saudosa Romina Yan ao assumir o papel desafiador de ser o novo rosto da história que a consagrou. 

Com o apoio eterna Belén, as referências a Mary Poppins e sua desenvoltura teatral, Aruzzi tocou a inocência do público-alvo da novela. Como a própria discorreu, em entrevista:

Agora me sinto confortável, pois ["Chiquititas 2006"] é diferente do que eu fazia antes. Fiquei tranquila quando um menino me perguntou, na rua, se eu fazia magia de verdade. Foi maravilhoso.







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