Aparato do Entretenimento: CRÍTICA | Si nos Dejan: "Produção de Carlos Bardasano, evidencia que viver o amor sem medo é a melhor resposta contra o preconceito"
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CRÍTICA | Si nos Dejan: "Produção de Carlos Bardasano, evidencia que viver o amor sem medo é a melhor resposta contra o preconceito"

Créditos: Televisa S.A / W Studios.

A Univision levou ao ar ontem, 11 de outubro, o último capítulo de 'Si Nos Dejan' adaptação moderna da clássica e vanguardista 'Señora Isabel' do começo dos anos 90. 

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Créditos: Televisa S.A / W Studios

Estrelada por Mayrin Villanueva e Marcus Ornellas, o melodrama atiça o espectador ao trazer uma composição que pode espantar os olhares mais conservadores da sociedade, e pasmem, mesmo em pleno ano de 2021. O relacionamento entre casais de idades diferentes. 

A 'jogatina' da produção coloca em evidência justamente o contraponto: mulher x homem - os diferentes tratamentos que cada sexo possui na convivência com seus próximos e os preconceitos que cada um enfrenta ao assumir um amor mais jovem.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

🚨 Antes de continuar lendo a crítica de 'Si nos Dejan' aproveite para ler as PRIMEIRAS IMPRESSÕES da mesma produção, sobre a primeira semana da novela.

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Créditos: Televisa S.A / W Studios

O texto de 'Si nos Dejan' não é recente e tampouco nada conhecido, muito pelo contrário. Baseado na obra original de Bernardo Romero e Mónica Agudelo, o script já ganhou outras versões - sendo 'Miraja de Mujer' da TV Azteca e 'Victoria' da Telemundo as revisitações mais conhecidas da obra da dupla. A versão da W Studios em parceria com a Televisa é a primeira aposta do texto na maior produtora de audiovisual na TV aberta mexicana. Projetada para ganhar as telas do Las Estrellas anos antes, a produção acabou sendo cancelada, e ganhando finalmente outra oportunidade (agora com novos atores, produtor e roteirista) somente em 2021.

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Créditos: Televisa S.A / W Studios

O g
uión desta vez é assumido por Leonardo Padrón, experiente escritor de novelas venezuelano que desde 2018 atua ao lado de Carlos Bardasano na W Studios e consequentemente na Televisa. A parceria entre os dois é tão promissora, que as três obras assinadas pelo duo, ganharam notoriedade no mercado internacional.


Leonardo Padrón cria uma ambientação somente sua ao redor dos protagonistas e seus elos, a condução é limpa e até original. Aliás, por mais que se trate de um remake, é preciso reconhecer que quase nada desta versão é 'copia e cola' das anteriores. Novos núcleos são acrescentados, personagens suprimidos, novas problemáticas, romances e até importantes pontos de decisão divergem - além é claro de toda a inclusão social que a trama revela ao longo dos capítulos, como a abordagem do cyberbullying vivido pela personagem Miranda (Isidora Vives) e o assédio sexual e moral vivenciado por Fedora (Gabriela Spanic) e Karina (Lore Graniewicz). Os assuntos desenvolvidos são os mais diversos possíveis e tudo é apresentado de forma coesa com o tempo-espaço que a trama abraça.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

A equipe de roteiro é composta ainda por Vicente Albarracín (Rubí, la serie), Carlos Eloy Castro (Amar a muerte), Karla Sanz de la Peña (Caminos de Guanajuato) e Valentina Sequera - que juntos alimentam as esperanças de um amor igualitário, mesmo em face de uma sociedade machista e hipócrita. Em suma, o desarrollo é bem coerente, salvo o baixo aproveitamento de alguns personagens como Chela (Ara Saldivar), Yaya (Mónica Sánchez Navarro) e Chiquis (Natália Payan) que funcionaram apenas como as 'melhores' amigas e/ou funcionárias.


Escritor e produtor, Carlos Bardasano é a alma da novela. Com sua mão firme e pesada contra as críticas, ele soma mais um sucesso em seu currículo. Atualmente desenvolvendo a nova versão de 'Los Ricos También Lloran', Bardasano, agora Presidente de Conteúdos da W Studios é enfático ao 'pilotar' uma trama singular, onde a vilania é praticamente os percalços da vida. Os imbróglios jurídicos, a violência de gênero, a ascensão midiática e o desamor são temperos acrescentados em doses homeopáticas ao longo da trama, que em 83 capítulos, praticamente DESENHA ao público que é possível SIM, amar mesmo em idades diferentes.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

A direção corre a cargo do trio, Luiz Manzo, Carlos Cock Marin e Pavel Vazquez que (coincidentemente) trabalharam juntos em outras obras ao lado de Bardasano e Leonardo Padrón. Esse revés familiar é o ingrediente que alimenta a direção, aliás, vale destacar o equilíbrio e a contemporaneidade direcional da trama, que navega por assuntos complicados e de extremo valor social, sem extrapolar o limite do aceitável e tampouco deixar o folhetim com cara de 'telecurso'.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

Manzo, Cock e Vazquez ainda introduzem um universo totalmente diferente das produções anteriores composta pela mesma equipe técnica, é fácil notar que os elementos presentes em 'Si nos Dejan' se opõem aos de 'Amar a Muerte', 'El Dragón' e 'Rubí' que se nutrem muito mais do suspense e ação do que o romance - em primeiro plano. O jogo cênico da direção de cena contrasta bem com a direção de câmeras e vice-versa, que por sua vez, também usa e abusa de uma boa relação com o roteiro e a produção executiva.

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Um fator que contribui em 'Si nos Dejan' é o elenco enxuto, são poucos atores e graças a esse direcionamento muitos personagens conseguiram ter suas histórias retratadas de forma harmoniosa. Contudo alguns merecem destaque.

Créditos: Televisa S.A / W Studios.

Após viver a vilã Sandy de 'Quererlo Todo', Scarlet Gruber aceitou o desafio de interpretar Julieta Lugo, uma jovem jornalista fútil, ambiciosa e disposta a destruir o casamento de seu colega de trabalho. Embora poucos dias separem as duas personagens é necessário dizer que ambas são completamente diferentes, seja em entonação, gesticulação, vestimenta e até modo de agir. E o mérito é todo de Scarlet que soube criar camadas e distinguir as vilãs, principalmente por conta da escalação de Alexis Ayala, seu par romântico em 'Si nos Dejan' que por 'coincidência da Televisa' era seu pai em 'Quererlo Todo'.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

Assim como Gruber, Alexis Ayala é um destaque positivo. E aqui cabe o mesmo motivo, Artemio Cabrera e Sergio Carranza são dois vilões separados por dias, mas que possuem elementos completamente distintos. Sim, ambos até possuem singularidade em alguns aspectos, como o assédio psicológico contra suas esposas, mas é possível notar o destempero de Sergio em virtude dos ciúmes e sua carreira como jornalista do principal telejornal do México, enquanto Artemio atua muito mais para manter o controle da cidade em suas mãos. Inclusive, Ayala não era o primeiro nome para viver o antagonista e sim, Eduardo Yáñez, que acabou deixando a novela poucos dias antes do início das gravações. Uma substituição bem assertiva.

É importante destacar, que o casal de vilões Sergio e Julieta, não são exagerados. São pessoas que existem no nosso cotidiano, com atos que, mesmo errados, são comuns em nossa sociedade.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

Alex Perea estava há três anos vivendo Manuel Montero na série 'Sin Miedo a la Verdad' disponível no Brasil através da Globoplay quando finalmente voltou para as novelas como 'El Cholo', um dos coadjuvantes de 'Si Nos Dejan' e ao lado de Isabel Burr deu vida a um dos casais mais interessantes do melodrama. Um relacionamento 'nada aceitável' entre uma advogada e seu cliente, preso e acusado de assassinato. 

Créditos: Televisa S.A / W Studios

O desenvolvimento do casal é repleto de idas e vindas, o que compete a pareja, uma torcida pertinente por parte do público. Separados, Yuri e El Cholo são completamente distintos, o que pode até estranhar a princípio, mas é totalmente compreensível dado as circunstâncias e vivências de cada um. Aliás, Yuri é uma personagem altamente ambígua, suas mudanças constantes de temperamento e opiniões, travam uma luta contra seu posicionamento como advogada e defensora das causas feministas, atitude muitas vezes até colocada em evidência nos embates com sua mãe, Alicia. El Cholo, por sua vez, é justamente o contrário, defende suas ideias sempre com a mesma linha de pensamento. Condenado injustamente, busca redenção e justiça, amparado sempre por belas palavras e posicionamentos. O que leva uma fácil aceitação do público com seu personagem.

Outro grande acerto que fez o público se apaixonar pelo casal Yuri e Cholo, é a sua trilha sonora. As cenas do casal sempre são embaladas pela música "Si Nos Dejan", de Ara Saldivar (como mencionado, também presente no elenco da novela), que também funciona como o tema de encerramento da trama.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

O maior acerto em termos de desenvolvimento e entrega é o de Mónica Dionne como Rebecca, que vive uma das melhores amigas de Alicia (Mayrin Villanueva). Introduzida na trama logo no início, suas participações se resumiam quase sempre em conversas ao lado de Alicia e Fedora, em busca de soluções para os relacionamentos fracassados das amigas, porém com o andar dos capítulos seu enredo deu um giro de 360º. Diagnosticada com Alzheimer precoce, o mundo da então professora universitária acaba tornando-se um poço de emoções, com cenas carregadas de drama e teor social, Rebecca agora vive de fragmentos de memória, e enquanto esquece os amores de sua vida, ainda precisa lutar contra o medo de ver sua vida se apagar aos poucos. E tudo sutil, humano e cumpre o papel de entreter e informar através da emoção de admirar um amor que morre e nasce todos os dias entre Fabían (Henry Zakka) e Rebecca.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

A moral e os bons costumes são bem representados pela figura moralista, elitista e hipócrita de Doña Eva (Susana Dosamantes). Machista e presa no 'século passado' a personagem entrega boas cenas de humor ácido, na mesma proporção que fere com seus diálogos recheados de preconceitos. E não perdoa ninguém, seu único amor é seu vício em jogos de azar. Patologia que esconde de todos, enquanto vive destilando ódio e rancor por onde passa. E lógico, Susana entrega tudo e muito mais em cena. Ao mesmo tempo que somos cativados pelo carisma de Susana, vamos a odiando cada vez mais, graça a Doña Eva e seus ideais.

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Créditos: Televisa S.A / W Studios

O retorno de Gabriela Spanic as novelas após quase 10 anos afastada se mostrou bastante positivo. Fedora não é protagonista, não é vilã e tampouco uma simples coadjuvante, mas o brilho de sua personagem é bem válido e notório. Ela não é somente uma das melhores amigas de Alicia, longe disso, a personagem apresenta uma das melhores composições cênicas e autorais da novela. Cabe a Fedora dois grandes temas: a violência doméstica e o assédio psicológico - que ela cumpre eximiamente bem. Spanic transporta o pavor e medo para a tela e muito dessa condição é por conta de 
José María Galeano (Samuel) o seu abusador. A frieza é notada no olhar. Gabriela Spanic ainda é bem aproveitada nas poucas cenas ao lado de Gonzalo (Carlos Said), envolvimento retratado na novela como errado, mas que de errado, não tem absolutamente nada. Inclusive, esse é um dos poucos erros da trama, o romance mal aproveitado entre Fedora e Gonzalo, um casal que, mesmo com poucas cenas e separados, ganharam o carisma e a torcida do público. Não faltaram reclamações à separação dos personagens. A falta deste enlace amoroso é compensado pelo amor incondicional com suas amigas e os embates entre Fedora e Doña Eva. Seu desfecho é digno, livre e dona de si.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

A escolha de Marcus Ornellas para viver o protagonista de 'Si Nos Dejan' foi um misto de dúvida e frescor no mercado folhetinesco. Com seu nome em evidência após três projetos bem avaliados no streaming, (Rubí, Falsa Identidad e Monarca) Ornellas ganhou o status de principal nome masculino do elenco de uma novela. Atitude que funcionou. Martín é um homem justo, humilde e livre de preconceitos. Um homem que moldou sua vida de acordo com a simplicidade, tanto que parece o desenho de um 'homem irreal' devido ao tamanho da perfeição que é apresentado ao telespectador. Não é aquele cafajeste que tropeça durante o desenrolar da novela e se redime perto da reta final, pelo contrário. Esse balanço é nivelado justamente com Sergio, seu rival e sim, o verdadeiro cafajeste da trama. Acostumados com tantos protagonistas machistas, pode-se dizer que o público até estranhou Martín e por muitos capítulos esperou se decepcionar com o personagem. Coisa que não aconteceu e com isso, o público o abraçou ainda mais. O romance com Alicia é íntegro, limpo e feroz. Encerrado diversas vezes, o relacionamento #Marlicia é sobretudo respeitoso e esse é precisamente o diferencial do casal, a mutualidade. Marcus Ornellas encerra o projeto com todas as honras e aberturas para novos protagonistas na Televisa, vide a falta de homens para estrelar folhetins.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

A nomeação de Mayrin Villanueva para interpretar a protagonista Alicia pegou a todos de surpresa, afinal de contas dar vida a uma mulher tão empoderada e disposta a mudar totalmente seria uma tarefa difícil, além é claro das comparações, as temidas comparações. Angélica Aragón e Victoria Ruffo já haviam vivido a mesma personagem em épocas diferentes e ambas com elogios pelas suas atuações. Mayrin foi colocada à prova e entregou com Alicia a sua melhor personagem até o presente momento. A entrega cênica ao lado de Marcus Ornellas funcionou como uma espécie de trampolim, elevando a cumplicidade do casal e consequentemente o apelo com o espectador. Martin e Alicia é um casal end game total. 
Inclusive Alicia, assim como Fedora se reencontra como mulher, mãe e parte fundamental de uma relação. Não uma parte única, como antes vivia. Pode-se dizer, sem medo, que Alicia é uma das melhores (senão a melhor) protagonista da Televisa em 2021, e claro que o carisma de Mayrin ajudou e muito pra isso. Após o término de 'Si nos Dejan' ela se soma a Ariadna (Claudia Álvarez) de 'Vencer el Desamor' na categoria de melhores protagonistas de novelas mexicanas dos últimos anos.

Créditos: Televisa S.A / W Studios

O casal Marlicia...
Uma pareja apaixonante e com fãs extremamente fervorosos, tanto que a cada tentativa de separar o casal, o público sofria e a resposta era imediata nas redes sociais. A pedra no sapato era tratada como inimigo pelo público, não importava quem seja.

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Créditos: Televisa S.A / W Studios

"Si nos Dejan" é uma novela encantadora, que apesar de uma narrativa até relativamente lenta, entrega um conteúdo verossímil e cativante. Os seus 83 capítulos não deixam espaço para longas insinuações e a temida 'barriga', com isso abre-se espaço para relacionamentos críveis, de pessoas que erram e acertam, de personagens que pregam o ódio e relativizam o machismo. Ademais, a produção de Carlos Bardasano é uma trama curta, simpática e satisfatória; que encerra sua exibição na Univision de forma consagrada, garantindo tanto sucesso de audiência quanto de repercussão. É uma novela sobre escolhas, uma novela sobre mudanças e sobretudo, uma novela sobre amor.

Em tempo! 
No dia 01 de novembro o melodrama estreia no México, em horário nobre, às 21h30 (23h30) horário de Brasília). Quer outra boa notícia? A trama já se encontra em processo de dublagem aqui no Brasil pela Rio Sound, e em breve deve estrear na tela do SBT.

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Escrito por Hiago Júnior com a colaboração de Abner Taciano.

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