Aparato do Entretenimento: Por que as novelas de Nathalie Lartilleux fazem tanto sucesso no Brasil?
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Por que as novelas de Nathalie Lartilleux fazem tanto sucesso no Brasil?

Nathalie Lartilleux e suas protagonistas: Ana Brenda Contreras (Corazón indomable), Maite Perroni (La Gata) e Zuria Vega (Mar de Amor) todas exibidas no Brasil pelo SBT - Créditos: Televisa S.A

Escrever sobre Nathalie Lartilleux não é uma tarefa fácil, afinal de contas a produtora é uma espécie de 'galinha dos ovos de ouro' do SBT. Quase todas as suas novelas, seja como produtora executiva ou associada repercutiram entre o telespectador brasileiro.


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Obviamente entre elogios e equívocos, Lartilleux coleciona várias tramas entre as maiores audiências desde o retorno da faixa de novelas mexicanas no período da tarde pela emissora de Silvio Santos. O que acabou me levantando uma questão: 'Por que as novelas de Nathalie Lartilleux fazem tanto sucesso no Brasil?'.

Maite Perroni e William Levy em cena da novela 'Cuidado con el Ángel' - Créditos: Televisa S.A

Antes de tudo é preciso mergulhar no passado de Nathalie e conhecer os seus mestres, a começar pelo marido Salvador Mejía (La Madrastra) também produtor de novelas com quem atuou sempre ao lado. São exemplos da parceria entre eles as obras folhetinescas 'Mariana de la noche', 'Entre el amor y el odio', 'Abrázame muy fuerte', 'Rosalinda', 'La Usurpadora' e 'Esmeralda' - todas exibidas no Brasil. 

Outra presença marcante nas produções de Nathalie é a do escritor e adaptador de telenovelas Carlos Romero, figura responsável pelos roteiros de muitas de suas produções. Uma espécie de guru das novelas rosas, Romero conseguiu conservar o cerne folhetinesco das obras originais, muitas delas baseadas em radionovelas, através da transição de seus entremeios para o espaço tempo atual. 

A visão de Carlos Romero nas produções de Lartilleux é bem perceptível, pois suas protagonistas são dependentes, excluídas, reféns de personagens masculinos e que predominantemente alcançam seu ápice de sucesso após uma transformação física e emocional. Uma espécie de conto de fadas e que por anos foi a principal ferramenta da Televisa.


'Cuidado con el Ángel' foi a primeira trama de Nathalie a ser exibida no Brasil. Uma mistura das obras 'Una muchacha llamada Milagros' e 'Marta y Javier' o folhetim estrelado por Maite Perroni e William Levy converteu-se logo em um sucesso de audiência em 2013, sendo reprisada três anos mais tarde e conseguindo uma audiência ainda maior que sua veiculação original no Brasil. 

Apesar da audiência satisfatória, 'Cuidado com o Anjo' pecou em inúmeros aspectos: produção e direção, principalmente, que acabaram evidenciando um dos maiores problemas recorrentes nas criações de Nathalie, sua própria produção. É da novela uma das cenas mais memoráveis das novelas mexicanas; o famoso parto de calça jeans.




Paulina Goto e Horacio Pancheri em cena da novela 'Un camino hacia el destino' - Créditos: Televisa S.A

Sim, Lartilleux, querendo ou não tem o tino para produzir tramas populares, conseguir audiência e usar ao seu favor como argumento principal, o entretenimento. Não é uma expectativa, por exemplo, que Nathalie aborde temas de apelo público, como visto nas obras de Rosy Ocampo, José Alberto Castro e Giselle González, a missão e assertividade de Nathalie é atingir o 'povão' e nisso ela acerta.

Na mesma proporção que suas novelas miram no popular e acertam, o deslize para adentrar no pastelão acaba sendo quase que inevitável. E por isso, suas produções padecem de um melhor delineamento técnico. E o que seria isso? Se você é noveleiro raiz e acompanha todas as telenovelas da Televisa, consegue notar que as telenovelas assinadas por Nathalie Lartilleux não possuem condições favoráveis de cenários, efeitos visuais, fotografia e figurino. Não que isso seja ruim, mas numa perspectiva dentre todos os produtores é notório tal diferença.


'Un Camino Hacia el Destino' é uma das suas telenovelas mais recentes. Exibida em 2016 pela Televisa, a novela chegou em 2017 ao Brasil e novamente conquistou uma audiência bem satisfatória para a faixa de novelas da tarde. Diferente de 'Cuidado com o Anjo' que teve adaptação de Carlos Moreno, 'Um Caminho para o Destino' foi baseada na obra original de Mariela Romero (La hija del jardinero), tendo a adaptação de roteiro assinada por Anthony Arrieche Gutiérrez e María Antonieta Gutiérrez, dupla que também é presença frequente nas compilações da produtora. 

A simplicidade é novamente o ponto alto, a mocinha, agora interpretada por Paulina Goto sofre tudo e muito mais nas mãos das vilãs para que enfim possa desfrutar do amor verdadeiro.


Maite Perroni em cena da novela 'La Gata' - Créditos: Televisa S.A

Vilões é outro ponto característico nos folhetins de Nathalie, nocivos, adúlteros, dissimulados, hipócritas, assassinos e sobretudo caricatos. Independente de qual novela você já tenha acompanhado, todos, e repito, todos os vilões caminham na mesma vibe. Pitorescos e exóticos são peças fundamentais para o andamento das tramas de Lartilleux, que a exemplo de seu marido Salvador Mejia, também não se contenta com apenas um vilão e lança um covil de abjetos para atrapalhar o final feliz dos protagonistas. Partem deles as melhores cenas (engraçadas) e que entretêm o telespectador.



'La Gata' é um exemplo claro de vilã alucinada e maníaca, Lorena interpretada por Laura Zapata é capaz dos maiores devaneios para tentar separar Esmeralda (Maite Perroni) de Paulo (Daniel Arenas). Zapata por si só já é caricata, pupila da diretora Beatriz Sheridan, utilizou seu maior dom no folhetim. Condição que acabou se repetindo com as atrizes Elizabeth Álvarez, Ninel Conde, Ana Patrícia Rojo e Rocío Banquells em outras tramas da produtora, o tom carnavalesco. Para alguns é ruim, sim, mas é preciso dizer alimenta o folhetim e o público gosta.


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Zuria Vega e Mario Cimarro em cena da novela 'Mar de Amor' - Créditos: Televisa S.A

As reviravoltas também fazem parte da estrutura das novelas de Nathalie, e das mais variáveis possíveis. Acidentes, perda de visão, memória, barracos, tapas, assassinatos, gritos e tudo temperado pela comicidade. 


É tudo muito leve e desta forma não assusta o telespectador, sendo algumas inserções até hilárias. Como essa cena abaixo.

 
Ana Brenda Contreras em cena da novela 'Corazón Indomable' - Créditos: Televisa S.A

Algo mais explicaria o sucesso de Nathalie Lartilleux no Brasil? Sim. A escolha de seus protagonistas. Praticamente em todas as novelas a produtora acertou na escalação de elenco. Jovens e belos, as telenovelas são estampadas por atores carismáticos e que conseguem grande apelo do público do sofá. 

O exemplo mais claro é o de 'Corazón Indomable' onde Ana Brenda Contreras e Daniel Arenas formaram um dos casais mais queridos e protegidos pelo telespectador. O remake de 'Marimar' já foi exibido duas vezes no Brasil e nas duas oportunidades garantiu boa audiência para a emissora de Silvio Santos.



Scarlet Ortiz e Jorge Poza em cena da novela 'Rafaela' - Créditos: Televisa S.A

Existem ainda novelas inéditas de Nathalie Lartilleux que não foram exibidas no Brasil? Tem sim. 'Inocente de ti', 'Peregrina', 'El vuelo de la Victoria' e 'Rafaela'. Dentre todas, destaco Rafaela que ao meu é a melhor trama da produtora. 

Protagonizada por Scarlet Ortiz e Jorge Poza, a trama conta ainda com as atuações de Chantal Andere, Diana Bracho, Arturo Carmona, Arleth Terán, Rogelio Guerra e Patricia Reyes Spíndola. Remake da obra venezuelana da Venevision de mesmo nome, o melodrama é um dos mais curtos de Lartilleux e condensa os acontecimentos em um hospital, cenário bem diferente das novelas exibidas no Brasil.


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Baseada na obra da novelista cubana Delia Fiallo, Rafaela leva a chancela de roteiro da dupla Katia R. Estrada (Amor Gitano) e Enna Márquez (Código Postal) que em pouco mais de 100 capítulos conseguiram transpor a essência de uma trama rosa com um pouco mais de estética na fala dos personagens.

Após todos estes argumentos, enfim cheguei a conclusão do questionamento inicial desta coluna. Nathalie Lartilleux faz sucesso no Brasil pela sua simplicidade e preservação da essência das novelas mexicanas clássicas. 

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Até a próxima.


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