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Opinião dos Internautas - O futuro da Televisão Brasileira




Desde 2009, exatamente no final da década passada, a televisão brasileira vem passando por transformações contínuas e só agora isso está sendo visível a olho-nu de uma geração de  telespectadores que cresceu diante daquela que é considerada a "Babá-Eletrônica". 



Na década  que estamos vivendo, e isso pode se estender até o final dela, as mudanças vão continuar acontecendo, talvez em busca da "perfeição" tão almejada pelos tele-executivos, porém essas tais "mudanças" vão surgindo ao menos que espera e isso seria visto mais por atender uma necessidade das redes comerciais do que buscar o desejo da "perfeição ibopística".

Esse texto projeta uma espécie de previsão para o cenário televisivo brasileiro, mas do ponto de vista da linha de shows, talvez o mais desgastado e o mais super-exposto gênero da TV brasileira, mais até que as novelas e o jornalismo, porque é na linha de shows que a maioria das redes comerciais força a barra para que seja um sucesso a qualquer preço. Mas não podemos descuidar das "crises" invisíveis, aquelas que são camufladas e escondidas por debaixo do tapete, mas que tem gente que está notando os sinais de crise terminal que pode comprometer o trabalho de uma vida inteira.

Começando pela Rede TV!, muito mal vista pela classe artística brasileira. Por mais que seus executivos insistam tapar o sol com a peneira, há a impressão de que ela esteja com os seus dias contados. De tanto vulgarizar a imagem do artista brasileiro e conseguindo uma audiência generosa por repercutir as malfadadas fofocas de celebridades, poderá pagar um preço terrível: sairá do ar por meios judiciais. Por trás dessa eventual falência um grupo de artistas da Rede Globo reivindicará ao Ministério das Comunicações e a ANATEL um processo de cassação das concessões da emissora por certas irregularidades quanto à questão da "invasão de privacidade". Se a situação da Rede TV! não é das melhores financeiramente, imagine judicialmente. Como o prazo de renovação de concessões de TV é de 15 anos, segundo a Constituição, e a emissora completará essa idade com a corda no pescoço, tudo indica que ela sairá do ar sem deixar saudade para uma tele-classe decepcionada 15 anos depois.

Com o eventual fim da Rede TV!, muitos artistas serão remanejados de emissora, o que quer dizer que o famoso "troca-troca de canal" vai ser mais banal, corriqueiro e rotineiro do que se imagina. Uma das primeiras-damas da emissora, Luciana Gimenez, considerada a "estrela" da rede caçula, corre o risco de ficar sem rumo, enquanto que a jornalista Sônia Abrão e o apresentador Gilberto Barros teriam o mesmo rumo: o SBT. Sônia, uma baba-ovo de carteirinha da emissora e muito bem vista por Silvio Santos (vide "Troféu Imprensa" e sua fama de "dominadora de idéias") estaria de volta com o "Falando Francamente" que ela apresentou de 2002 a 2004 pela mesma emissora. Já o "Leão", seria o dono absoluto das tardes de sábado da emissora, substituindo o mal-visto Raul Gil, que por causa de um programa parado e com audiência insuficiente, seria varrido da grade.


O destino de Raul Gil parece certo. Depois de cometer duas "gafes" imperdoáveis e favoráveis a Record, ele voltaria a dominar as tardes de sábado de sua antiga emissora: a própria Record e seria sua sexta passagem pela emissora. Aí seria lançada a guerra pela medalha de prata em audiência no sábado à tarde, longe das vistas Globais que continua anos-luz de distância no horário com o juvenil "Caldeirão do Huck". A Record, que faz tudo por audiência com uma programação voltada para o público adulto das classes baixas, que vive mal-humorado, reclamando da vida e descontando a culpa nos "desafetos", poderá ser a nova casa desse que é tido como o "rei da baixaria": João Kléber. Como ele participou de uma edição do reality- show "A Fazenda", ele poderia substituir o mal-sucedido "Me Leva Contigo" nas noites de sexta, trazendo na bagagem seus testes de fidelidade de praxe. É a Record forçando a barra para conquistar, nem que seja na marra, a "audiência do mal".

Enquanto isso, na Globo, as pressões impostas pela concorrência poderá transbordar o copo d'água da paciência de um importante nome da emissora: Fausto Silva. Todos notam que ele faz o "Domingão" mais por obrigação contratual do que por livre e espontânea vontade, parece que ele está sendo arrastado no palco para promover um outdoor da programação Global. Até faz sentido a fala de encerramento que ele entoa toda semana "Agradecendo a sua audiência e a sua paciência" e isso perdura há 25 anos. Faustão não vai agüentar o clima ao ponto de se estourar feito um balão nos bastidores, vai pedir demissão e anunciar sua aposentaria definitiva da TV brasileira se exilando na Itália, país que ele admira bastante. O nome ideal para substituí-lo nos "Domingões Globais" da vida é quase certo: Rodrigo Faro. Coma experiência de ter feito parte do elenco da emissora, ele pode fazer parte de uma estratégia Global de fazer a sua mais encardida concorrente, a Record, entrar em colapso aos domingos.


Mesmo à beira de um colapso, a Record, graças aos mais de 80% de dinheiro de dízimo arrecadado pelos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, vai forçar ainda mais a barra e quer mostrar jogo de cintura num dia da semana tido exageradamente como a "jóia da coroa" da TV brasileira: o domingo. Começando pelo esporte. Depois de esbanjar dinheiro para ter exclusividade de Olimpíadas e Jogos Pan-Americanos, a Record bem que poderia levantar a moral de uma modalidade que está muito em baixa nas mãos da emissora-líder, o automobilismo. Se dependesse de grana, ela teria até de sobra para adquirir a exclusividade do Mundial de Fórmula 1 por 1 bilhão de reais (isso mesmo que você leu, 1 bilhão) por uma década inteira e com direito a renovação garantida, ao ponto até de tirar da Globo o experiente comentarista Reginaldo Leme (em resposta a "saída" de Rodrigo Faro). Seria até certo ponto interessante a Fórmula 1 recuperar o prestígio e credibilidade perdida numa emissora mais "leve" em termos de cobertura esportiva regular.


Se as manhãs de domingo estariam garantidas com a "maior cobertura da Fórmula 1 jamais feita por uma emissora de TV no mundo em toda a história", como é que ficariam as tardes? Os escândalos assistencialistas sob pretexto e intenção de atacar a emissora-líder, farão do "Domingo Show" um programa mal-visto pela classe mais exigente de televisão, ao ponto de ser comparado com o extinto "O Povo na TV" exibido pelo SBT nos anos 80. As pressões populares vinda da internet vão obrigar o programa apresentado pelo não menos inescrupuloso Geraldo Luiz "subir no telhado" (expressão usada nos bastidores da TV para dizer que um programa vai sair do ar). Como a Justiça pode se meter no meio disso tudo, a Record terá que tapar o buraco com desenhos animados bíblicos até as 14 horas, onde poderia colocar o programa da Sabrina Sato, atualmente exibido aos sábados, para substituir o "Domingo Show" e "A Hora do Faro" com um programa de quatro horas de duração, seguido do "Domingo Espetacular", que começaria mais cedo e terá seu tempo de exibição espichado, das 18 às 23 horas, com reportagem de mais de meia-hora de duração, sempre falando mal de alguma coisa.

E como ficaria as noites de sábado da Record sem a Sabrina? Como o "Legendários" é vice- líder absoluto de audiência no horário, começaria mais cedo e teria mais tempo de exibição para segurar seus preciosos pontos num dia de concorrência branda. Digo branda porque o SBT prefere ficar na "zona de conforto" nas noites de sábado com filmes, seriados e realities sem repercussão e com uma audiência efêmera. Muitos dos SBTistas, que são a maioria na internet, gostam de dar pitacos para mudar a grade de programação para fazer do SBT uma Brastemp da vida, essa Coca-Cola toda que cismam em dizer. Há quem diga que um "Passa ou Repassa" desvencilhado do "Domingo Legal" poderia surtir efeito ibopístico no horário, os mais saudosistas desejam a volta do "Viva a Noite", mas com um dilema: quem gritaria "Viva a Noite!!!", Celso Portiolli ou a queridinha da vez Patrícia Abravanel? Têm outros que quer o veterano "chansonnier" Moacyr Franco no horário para voltar a ter um programa só dele, reivindicado inclusive pelo homem do banco da praça, Carlos Alberto de Nóbrega.

De volta aos domingos, a concorrência pode fervilhar de vez. Começando pelos ajustes nos horários da grade SBTista. O "Domingo Legal" do Celso Portiolli começaria uma hora mais cedo, às 10 da manhã, seguida da Eliana, que entraria às 14 horas. E às 18 horas, quando acaba o "Futebol Global" e começa pra valer a guerra domingueira pela caça aos pontos de audiência, o "Programa Silvio Santos" entra em cena até as 22 horas quando começa mais um sorteio da "Tele Sena", emendado 15 minutos depois pelo "Roda a Roda Jequiti". Com isso, o programa de entrevistas "De Frente com Gabi" começaria mais cedo, às 23 horas e a meia- noite, poderia levar ao ar um programa esportivo mostrando os gols da rodada e a semana do esporte, aproveitando parte da equipe do recém-extinto "Arena SBT" e de quebra contratando um "sem-emissora" com experiência na imprensa esportiva: Luciano Faccioli. Isso poderia motivar a emissora relançar o "SBT Esporte", que era exibido no mesmo horário nos anos 90 e tinha o comando do saudoso Dr. Osmar de Oliveira.

Mas voltando às tardes de domingo vem outro dilema: o SBT está preparado para encarar a falta que Silvio Santos fará num futuro próximo? Aparentemente não, é o que dá a entender a que ponto vai a idolatria pelo "Deus da TV brasileira". Muitos apontam que o "sucessor" de Silvio Santos no horário pode ser o Ratinho, que já é considerado um "animador perfeito" para os domingos SBTistas. E não é por menos, ele pode ser o ideal para ficar com a vaga não só pelos programas, mas pelo lado empresarial na venda de produtos e licenciamento de marcas, até tem contrato de sociedade com o SBT e é dono de uma rede emissora afiliadas à rede no estado do Paraná. Parece que ele saiu pronto da escola de Silvio Santos e as aulas lhe serviram para alguma coisa, principalmente para massagear sua vaidade. Seria ele o novo dono do SBT, dividindo o comando com as filhas do "Patrão-mor"?

Para encerrar, um afastado da TV não pode deixar de ser citado neste relato: Gugu Liberato. Se ele deixar de ser um eterno "parceirão" da Record e desgastar a toa sua imagem, precisará pensar grande para se tornar o mais novo dono de uma emissora aberta de televisão no Brasil, pois ele tem grande potencial para isso, aliando-se a uma grande necessidade mercadológica de telecomunicação nacional. Se a Rede TV! sair do ar mesmo, ele deve se prontificar em adquirir as concessões da malfadada emissora, poderia também adquirir a CNT e algumas retransmissoras paulistas da Rede 21, duas emissoras-fantasmas que foram recentemente arrendadas pela Igreja Universal, para montar uma nova rede de televisão. Somando as afiliadas das duas redes, sem contar grande parte do patrimônio que terá a disposição (geradoras, quadro de funcionários, equipamentos, etc.) incluindo seus estúdios independentes da GGP que se tornará a cabeça geradora nacional de programação, daria o suficiente para lançar com boa estrutura sua própria rede com cerca de 50 emissoras espalhadas pelo Brasil e seria vista como "ameaça" as redes Record e SBT na briga pelo segundo lugar de audiência. A "TV do Gugu" bem que poderia ser batizado com o sugestivo nome de RBT - Rede Brasileira de Televisão. Por que não?


Até lá muita coisa pode acontecer no panorama televisivo brasileiro, troca-troca de artistas, tensão nos bastidores, mudança de horários na programação, alterações de última hora, emissoras saindo do ar, uma nova rede sendo lançada e vista com preocupação exagerada por parte da concorrência, enfim. Tudo pode acontecer nessa transição que a TV brasileira viverá nos próximos quatro anos ou se deixar, até o final desta década. É só aguardar para ver como vai se desenrolar os próximos capítulos.

Autor do texto: Êgon Bonfim

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