Aparato do Entretenimento: Primeiras Impressões: Sem apresentar tom mórbido, "Vencer la Ausencia" estreia de forma sutil e humana ao abordar um tema tão sensível como o luto
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Primeiras Impressões: Sem apresentar tom mórbido, "Vencer la Ausencia" estreia de forma sutil e humana ao abordar um tema tão sensível como o luto

Ariadne Díaz, Mayrín Villanueva, Alejandra Barros e María Perroni em arte promocional da novela "Vencer la Ausencia". Créditos: TelevisaUnivision

Após três êxitos com a saga 'Vencer', Rosy Ocampo estreou nesta segunda-feira, 18 de julho, o quarto volume da franquia. Intitulada "Vencer la Ausencia" a trama foi a escolhida para substituir "La Herencia" na faixa das 08h30pm do Las Estrellas.

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Com uma temática complicada de se trabalhar na televisão, a obra original agora retorna com um enredo bem mais dramático e disposto a trabalhar proposições mais carregadas, vide o seu principal plot, o distanciamento e a carência da ausência. Acompanhei os capítulos da primeira semana e trago agora as minhas primeiras impressões do melodrama, portanto continue comigo nesta crítica. 👇

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Pôster internacional da novela "Vencer la Ausencia". Créditos: TelevisaUnivision

Conheça a sinopse

Quatro mulheres de origens diferentes, mantêm uma amizade próxima que se rompe quando, por conta de um acidente, perdem o que mais amavam. Após descobrir que por trás desse evento há um mistério que as une, elas devem decidir se irão superar a ausência e as perdas na solidão, ou reconstruir suas vidas, recuperando a irmandade que as uniu.

O elenco de "Vencer la Ausencia" é composto por Ariadne Díaz, Mayrín Villanueva, David Zepeda, Danilo Carrera, Alexis Ayala, Alejandra Barros, Jesús Ochoa, Mariana Garza, Nailea Norvind, David Ostrosky, Mariluz Bermúdez, Silvia Mariscal, Laura Luz, Laura Carmine, Felipe Nájera, Agustín Arana, Marcos Montero, Fernanda Urdapilleta, Adriana Llabrés, Andrés Vázquez  e María Perroni Garza.

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Cena do 1º capítulo de 'Vencer la Ausencia'. Créditos: TelevisaUnivision

Criação de Pedro Armando Rodríguez e 
Gerardo Perez Zermeno, 'Vencer la Ausencia' é conduzida por uma equipe de roteiristas que compartilham créditos com Rosy Ocampo em várias outras produções, principal razão que contribui para a união e continuidade saudável na narrativa, sendo assim, acompanham Rodríguez e Zermeno na adaptação os escritores Humberto Robles, Alejandra Romero, Daniela Ochoa e Luis Gamboa. A premissa segue a mesma, quatro mulheres de realidades diferentes acabam se unindo para juntas conseguirem sobrepujar os percalços da vida, portanto, neste sentido nada é novo, porém a apresentação se distancia. O luto e a ausência já haviam sido abordadas em outras oportunidades dentro da ficção, sobretudo em "Vencer el Desamor" com a personagem de Daniela Romo, no entanto em "Vencer la Ausencia" tudo é mais potencializado e bem delimitado.

De olho nesta perspectiva, vale sublinhar o empenho em criar algo verossímil e palpável que acolha tanto a ficção necessária para a condução dos núcleos e enredos das tramas e subtramas, como para o factual, o caráter social e coletivo que a obra engloba. O luto é sim retratado, em todas as suas formas e fases, todavia a delicadeza e consistência da narrativa acabam criando laços com o telespectador de forma sublime, tanto que é possível logo nos primeiros capítulos hospedar as dores das protagonistas, em especial, Rayo e Esther. Não é insalubre, nocivo e fúnebre, por outro lado, é necessário.

A ausência também ganha vez em outras interpelações, como o caso do personagem Jerónimo vivido por David Zepeda, que sofre com o distanciamento da família após longos anos fora do México, ou ainda Homero interpretado por David Ostrosky, com suas crises de ausência, além é claro da solidão de Celeste, representada por Alejandra Barros. Não obstante é preciso evidenciar a tentativa em equilibrar os acontecimentos e o desenvolvimento das protagonistas, que assim como as anteriores, ao menos uma delas padece de um desenvolvimento mais brando, cozinhado a "fogo lento". A escolhida da vez é Julia, vivida por Ariadne Díaz, que mesmo em face de um plot interessante, não teve um bom realce nas primeiras horas do romance.

Os arcos e fechamentos dos capítulos possuem refinamento, prova disso são as entregas, inícios e conclusões, além é claro dos plot twist carregados de mistérios, rede de intrigas e segredos, como por exemplo, o desfecho do capítulo cinco.

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Cena do 4º capítulo de 'Vencer la Ausencia'. Créditos: TelevisaUnivision

A direção de cena continua a cargo de Benjamín Cann, que a exemplo das últimas três segue estabelecendo um ritmo coerente de acontecimentos e nuances aos personagens, bem como, positivamente trabalha numa bela distribuição entre os novatos e veteranos; com isso sobra espaço para que ambos consigam criar sua própria identidade e transpor os ideais e sentimentos. Novamente a ponte com Fernando Nesme também se nota promissora, confirmando outra vez que o forte da franquia é mesmo o teor social, mesclado ao folhetinesco, assinatura da dupla que se firma eficiente. Vale aqui um importante adendo, a direção abraçada ao belo texto da primeira semana da obra, cria um distanciamento até visível entre 'Vencer el Pasado' e 'Vencer el Miedo', por exemplo, que apesar de boas e coerentes, não emocionam tanto. Um avanço da equipe neste sentido.

Mariana Garza e María Perroni em cena da novela 'Vencer la Ausencia'. Créditos: TelevisaUnivision

A produção executiva vem de "cara nova" com a chegada do associado Daniel Estrada F., com funções administrativas em "Alborada", "Mujer de madera" e "¡Vivan los niños!", Estrada, retorna a parceria com Rosy Ocampo após a conclusão de "La doble vida de Estela Carrillo" e "Antes muerta que Lichita", por exemplo. Ocampo, sem enigmas continua com a última palavra na produção. Em suma, a qualidade técnica, cenográfica, musical, além dos critérios de vestuário, fotografia, desenho de imagem, entre outros aspectos específicos continuam de forma harmoniosa; desta forma - "Vencer la Ausencia" se apresenta como uma telenovela familiar, que conversa com um público amplo e como tal seu diálogo é simples, afetivo. Rubrica (padrão) de Rosy, que reencontrou um caminho acessível mediante as várias mudanças que a televisão aberta têm sofrido em vários países com o afunilamento do streaming.

Nailea Norvind como Flavia em cena da novela 'Vencer la Ausencia'. Créditos: TelevisaUnivision

De modo geral, as atuações são simpáticas e até zelosas, dadas as devidas proporções, contudo algumas se destacam. A começar por Mayrín Villanueva, que após viver Alicia em "Si nos Dejan" regressa como Esther, uma personagem completamente distinta da anterior. As várias camadas introduzidas na criação da personagem, fazem Mayrín brilhar ainda mais, principalmente quando os takes exigem uma alta carga dramática; são nestes momentos que Villanueva mostra todo seu talento, seja na explosão do grito ou no olhar lagrimejado. Na mesma pegada a "estreante" María Perroni demonstra com sua primeira protagonista, o talento de sua família e faz jus a escolha assertiva. Rayo reúne vários elementos que abrilhantam a sagacidade de sua intérprete, ela não é uma simples protagonista juvenil, pelo contrário, ela tem nuances, sentimentos aflorados, contrastes, o que exige muito de María, na qual aqui chamo carinhosamente de "a grande promessa da teledramaturgia".

Nailea Norvind também chega com vontade com sua INSUPORTÁVEL Flavia, o que não é ruim, ok? É um atrativo. Desde o fim de "Cuna de Lobos" onde interpretou Ámbar, Nailea não tinha tido mais oportunidades na televisão aberta. Ela não é uma vilã. É uma antagonista e até de certa forma humana. Fria e calculista, Flavia comete o pecado do "sincericídio" a todo momento e embora transmita a ideia de ser ruim, todo esse escudo se assemelha muito mais como uma defesa.

Andrés Vásquez como Iván em cena da novela "Vencer la Ausencia". Créditos: TelevisaUnivision

Complementando a bela entrega cênica de Mayrín Villanueva, Andrés Vásquez exerce uma função de alicerce, Iván, seu personagem embora singelo e com poucas entradas transfere emoção, de forma ímpar. Pela terceira vez na saga, Vásquez mostra mais amadurecimento e preparo para desafios mais intensos.

Laura Carmine e David Zepeda em cena da novela 'Vencer la Ausencia'. Créditos: TelevisaUnivision

Parece que David Zepeda está preso no looping de interpretar bons homens, arrimo de família e defensores das mulheres [...] capaz que nem é preciso mais o famoso "laboratório". Jerónimo não é muito diferente de Chente, seu protagonista em "Mi Fortuna es Amarte" e também não destoa da índole de Álvaro de "Vencer el Desamor", contudo, mesmo com tantas similaridades, Jerónimo não é ruim. É racional. Um homem que abdicou do calor da sua família, para dar melhores condições a mesma. Neste sentido a atuação de Zepeda é boa e atende aos pressupostos da telenovela. 

Mariana Garza, apesar de uma rápida participação especial construiu brilhantemente Margarita, uma mulher amiga, feliz, sorridente. Com segredos, feridas. Garza é o talento em pessoa, o que revelou sobretudo a falta que ela faz nos folhetins. Atuar ao lado da filha e numa posição tão triste, desoladora, por mais difícil que possa ter sido para ambas, é um presente para os fãs das novelas mexicanas.

Cabe aqui elencar outros destaques nestes cinco primeiros capítulos, Alejandra Barros, Silvia Mariscal, Jesús Ochoa, David Ostrosky e Adriana Llabres, com atuações calorosas e autênticas.


"Vencer la ausencia" é humana, sutil, acolhedora. É uma conversa franca sobre o luto, sobre a solidão, sobre as perdas da vida. É sobre lidar com os problemas e se reconstruir. É uma telenovela sobre o amor do acolhimento.  

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