Aparato do Entretenimento: CRÍTICA | Coração Marcado (Pálpito): "Thriller angustiante de Leonardo Padrón transcende a morte, o senso de justiça e as pulsações amorosas"
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CRÍTICA | Coração Marcado (Pálpito): "Thriller angustiante de Leonardo Padrón transcende a morte, o senso de justiça e as pulsações amorosas"

Michel Brown, Ana Lucía Domínguez e Sebastián Martínez em pôster promocional da série 'Coração Marcado (Pálpito). Créditos: Netflix e CMO Producciones.

A Netflix anunciou no final de janeiro durante um evento virtual o lançamento do projeto “Qué drama! Novelas con N de Netflix” - que consiste em um conjunto de obras originais latino-americanas com estética de séries, porém com o desenho e criação do gênero novela, uma mescla que mostrou-se eficaz com 'Oscuro Deseo', 'Rebelde' e o remake de 'Café con Aroma de Mujer'. De olho nesse segmento que tem crescido e muito dentro da plataforma, os executivos anunciaram o investimento e criação de novas produções com o tempero latino que agrada tanto seus assinantes. Com isso surgiu, 'Pálpito', série original de Leonardo Padrón que no Brasil recebeu o título de 'Coração Marcado'. 

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"Coração Marcado", Pálpito (original) ou ainda "The Marked Heart" (mercado americano) - é um thriller de suspense que mistura elementos do gênero folhetinesco, tendo como base central um amor ceifado que transcende as barreiras da morte. Acompanhei a primeira temporada da série e te convido a conferir agora a crítica.

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Michel Brown em foto promocional da série 'Coração Marcado' (Pálpito). Créditos: Gustavo Cabrera/Netflix

Conheça a sinopse

A esposa de Simón é assassinada para que seu coração seja extraído e transplantado para Camila, casada com um homem rico. Em busca de vingança, Simón entra no perigoso mundo do tráfico de órgãos. Nessa missão frenética, ele acaba se apaixonando por Camila, a mulher que sobreviveu graças ao coração de sua esposa assassinada. O que será que vai acontecer quando os dois descobrirem a verdade?

Elenco de 'Coração Marcado' (Pálpito) durante as gravações da série. Créditos: Gustavo Cabrera/Netflix

Elenco

O elenco de 'Palpito' é composto por Juan Fernando Sánchez (Palabra de Ladrón), Moisés Arizmendi (El color de la pasión), Jacqueline Arenal (Los Reyes), Sebastián Martínez (Pa' Quererte), Margarita Muñoz (Dueños del Paraíso), Ana Lucía Domínguez (Pasión de gavilanes), Mauricio Cujar (Narcos), Valeria Emiliani (Siempre Bruja), Julián Cerati (O11ZE), Miguel González (Enfermeras), David Páez (La Nieta Elegida), Silvia Varón (¿Cómo te llamas?), Diana Wiswell (La Reina del Flow) e Michael Brow (Amar a Muerte).

Margarita Parra e Michel Brown em cena da série 'Coração Marcado'. Créditos: Gustavo Cabrera/Netflix

Roteiro

Leonardo Padrón é um escritor de sucesso no mercado latino, seja em livros físicos ou licença poética em telenovelas. Venezuelano, Padrón é o responsável por melodramas exitosos da Venevisión, tais como 'La Mujer Perfecta', 'Contra viento y marea' e 'Cosita Linda'. No Brasil, teve apenas uma obra sua exibida na TV aberta, 'Se Nos Deixam' versão da clássica colombiana 'Señora Isabel' que segue em exibição pelo SBT, em seus últimos capítulos. Contudo no streaming, Leonardo Padrón já conquistou bons resultados. A versão repaginada da novela 'Rubí', agora em formato de série, disponível no catálogo do Globoplay leva sua assinatura, bem como 'Amar a Muerte' remake da obra de Julio Jiménez, também disponível na mesma plataforma do grupo Globo.

'Coração Marcado' é seu debut na Netflix, construída com a estética de série, a produção se destaca não apenas pela rapidez na solução de conflitos rasos, mas também na personificação do estilo da obra, que vez se confunde com uma série estilo americana - outra num folhetim novelesco arrastado no suspense.

O roteiro acompanha essa dialética, essa conversa mútua e ambígua entre os gêneros. 'Pálpito' não se reinventa neste emaranhado, mas também não fica preso ao passado. [é um híbrido]. O que contrasta muito bem com a atual proposta da Netflix.

A ideia é justamente criar uma redoma, e nessa construção guardar os conflitos e segredos que envolvem seus personagens, que transitam entre si, de forma conjunta. Conforme o círculo da redoma se afunila, as problemáticas vão surgindo e logicamente as soluções e a busca por justiça. Com o desenrolar dos episódios é possível notar que o desenvolvimento da série tente muito mais para o viés do thriller, do suspense tempestuoso e menos para o romance, que ganha força a medida que a série começa a ganhar volume de revelações. É nesta roupagem que o seriado brinca com o espectador, numa alusão entre novela latina X seriado americano.

Leonardo Padrón é o nome por trás de 'Pálpito' (Coração Marcado) criador da ideia original, também atua como showrunner do projeto, que marca não somente a sua estreia na plataforma, mas também na nova função. É natural observar traços da sua assinatura, como o suspense bem delineado, as amarrações entre seus personagens, os preconceitos de classe, as aberturas para discussões sociais e também a paixão desordeira - que foge aos padrões.

Em 'Pálpito' o roteiro também discute o maniqueísmo de seu triângulo amoroso através de ações que fogem da empatia, raiva e destempero. O vilão é realmente vilão por buscar uma vida mais digna para sua futura esposa, com saúde debilitada e vítima de um sistema de saúde abarrotado? A vítima é realmente uma vítima? Será que ela foi errada em buscar uma boa saúde? E o marido, ele é culpado por se apaixonar novamente após o enlutamento? Essa emblemática é justamente o contraponto que carrega a série até seu desenrolar final, onde mocinhos se confundem com vilões e vilões se tornam mocinhos. Todos estão certos? Logicamente que não, a resposta vai de cada visão.

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Sebastian Martinez e Ana Lucia Dominguez em foto promocional da série 'Coração Marcado' (Pálpito). Créditos: Gustavo Cabrera/Netflix

Produção

Quem acompanha novelas latinas, em especial as da Colômbia, logo vai sentir a "a mão pesar" e notar certa semelhança de 'Pálpito' com uma novela colombiana, e não somente por ser produzida por uma equipe do país, mas também por carregar traços da cultura. Praticamente tudo remete ao universo dos melodramas colombianos, as roupas, a ambientação, os cenários e até o modus operandi (os jogos de câmera, a direção de cena, os detalhes da produção...).

"Coração Marcado" é produzida por Clara María Ochoa (Correo de Inocentes, Regreso a la guaca e La ronca de oro) e Ana Piñeres (Fugitivos, La niña e La Venganza de Analía), ambas da CMO Producciones, produtora colombiana responsável por uma gama de sucessos. A distribuição mundial fica por conta da Netflix.

A temática densa de 'Palpito' é bem apresentada pelos takes marcados de violência, perseguições, sangue e lutas corporais - que atarracados ao drama da (protagonista dupla), trazem ao telespectador uma influência do cinema de horror; mas não um simples cenário de acossa, como também o de renascimento, onde para uma protagonista sobreviver, a outra precisa morrer.

Leonardo Padrón já havia experimentado algo parecido em 2018, quando reescreveu 'En cuerpo ajeno' de Julian Jiménez para a Televisa, agora com o título de 'Amar a Muerte' - aqui o drama se concentra também em uma transmutação como na citada acima, mas desta vez, o contraste é ainda maior, pois não se trata de uma licença poética desenvolvida com a espinha do realismo fantástico, e sim de uma temática de tráfico de órgãos, situação altamente factual.

É neste perspectiva que a produção é assertiva, pois mergulha nos anseios de ambas protagonistas, ao mesmo tempo que apresenta o passado, o presente e o futuro: onde a aceitação e a busca por justiça acabam se tornando uma peça fundamental no quebra cabeças e mexendo com todos a sua volta.

Moises Arizmendi como Mariachi, seu personagem na série 'Coração Marcado' (Pálpito). É um dos destaques positivos do seriado, seu vilão é crível e abominável, sinal de que o ator cumpriu bem o seu papel. Créditos: Gustavo Cabrera/Netflix

Direção

O respeitado Camilo Vega, diretor responsável pela telessérie 'Paquita la del Barrio' indicada ao Emmy Internacional e pela segunda temporada da clássica 'Pasión de Gavilanes' é quem assina a direção de 'Coração Marcado'. Nebulosa, fria e sensual, a supervisão de Vega é bem coerente com a estruturação do seriado. Destaque para os tons ébrios e acinzentados das cenas de suspense, principalmente as que envolvem o núcleo do tráfico de órgãos. É visualmente notável o zelo na construção desse segmento, que tem uma das maiores funções dentro da produção, gerar medo e dúvidas. A direção de cena é outro acerto de 'Pálpito'. Justa, ela consegue imprimir a densidade e camadas dos personagens, seus sentimentos, defeitos e qualidades - bem como; alimentar o talento de seus atores e atrizes.

A direção de fotografia, por sua vez, é chancelada por Diego Jimenez, profissional envolvido na novela colombiana 'Tarde lo conocí' e também pela série 'Siempre Bruja' da Netflix. Sua garra é facilmente observada na condução das cenas de ação, na delicadeza dos cenários e nas externas, principalmente as noturnas, carregadas de terror.

Ana Lucia Dominguez em foto promocional da série 'Coração Marcado' (Pálpito). Créditos: Gustavo Cabrera/Netflix.

Trilha sonora

O departamento musical de 'Pálpito' é todo criado através da perspectiva de Santiago Uribe, supervisor musical das séries 'Chichipatos' e 'Ritmo Selvagem' ambas da Netflix. É coerente e cumpre seu papel dentro da temática da série, especialmente no núcleo artístico ou ainda nas inserções da cultura musical latina, como por exemplo, a conexão com Carlos Vives, um dos cantores mais importantes da Colômbia.

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Margarita Parra e Michel Brown em foto promocional da 1ª temporada da série 'Coração Marcado' (Pálpito). Créditos: Gustavo Cabrera/Netflix

Destaques 

Assim como seu personagem Simón é preciso fazer justiça e dizer que Michel Brown é sem sombra de dúvidas o maior destaque de 'Pálpito'. A entrega dramática e a carga autoral fazem do personagem um dos melhores da sua carreira. É um misto de sentimentos, ações, conflitos, ideais, julgamentos, que somente um ator extremamente competente conseguiria gerir. E Brown conseguiu.

Embora Ana Lucía Domínguez ganhe muito mais volume de cenas com o decorrer dos episódios, Margarita Muñoz é quem abre espaço para que sua outra "eu" possa brilhar. Valéria é uma personagem interessante, seja em construção quanto em atuação, responsável por uma das sequências mais angustiantes da série, Muñoz deu o "sangue" nos minutos onde Valéria é sequestrada, perseguida, violentada e assassinada.

Sebastian Martínez é dono de um carisma muito grande, fato que pode ser notado na novela 'Pa' Quererte', porém é com 'Pálpito' que seu talento como vilão pode ser explorado ao máximo. Detestável, seu personagem Zacarías, de engraçado leva somente o nome. O poder é sua moeda de troca e o dinheiro sua resposta para tudo, aqui a única referência é o seu amor doentio e passional por Camila, sua noiva.

E por falar em Camila, Ana Lucía Domínguez é "grandona" em cena. Sensual, afável, digna, emblemática, amorosa, turva... Sua chuva de emoções garantem a personagem uma aula de interpretação, em especial, nas cenas de conflito onde seu talento é explorado ao máximo. Destaque também para a boa química entre ela e Michel Brown, o seu par romântico na série-novela.



Ao longo de seus 14 episódios 'Coração Marcado' consegue repercutir temas de relevância, abraçar o público, surpreender e questionar. É uma novela alinhavada com agulha de série e linha de telessérie.

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